Sendo a pobreza reconhecida como uma violação dos direitos das crianças, as pessoas com cargos de responsabilidade estão legalmente obrigadas a promover, proteger e cumprir esses direitos, alerta a ONU
Sendo a pobreza reconhecida como uma violação dos direitos das crianças, as pessoas com cargos de responsabilidade estão legalmente obrigadas a promover, proteger e cumprir esses direitos, alerta a ONUO secretário-geral das Nações Unidas, antónio Guterres, alertou para o facto da probabilidade de crianças viverem na pobreza extrema ser duas vezes maior do que a dos adultos e pediu um maior empenhamento dos governos na proteção dos direitos infantis, recordando que a pobreza condena muitas crianças a uma vida de desvantagens e perpetua a transferência desses problemas de geração para geração. Na sua mensagem alusiva ao Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que se assinala esta quinta-feira, 17 de outubro, o líder da ONU destacou ainda a necessidade de proteger o planeta, sublinhando que as crianças de hoje terão de viver com as consequências arrasadoras da mudança climática se as ambições não forem aumentadas agora. Sobre o tema escolhido para este ano – atuando em conjunto para empoderar crianças, famílias e comunidades para acabar com a pobreza -, Guterres lembrou que uma das soluções para acabar com a pobreza infantil é resolver a pobreza das famílias, com prioridade para o acesso a serviços sociais de qualidade, já que quase dois terços de todas as crianças não estão cobertas por medidas de proteção social. Mais crianças pobres em PortugalOs dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativos a 2017, mostram que cerca de 330 mil crianças estão em risco de pobreza em Portugal, sendo que o grupo etário até aos 18 anos é o mais afetado, o que significa que há mais crianças pobres do que adultos ou idosos. as crianças continuam a ser efetivamente o grupo populacional mais afetado pela pobreza, designadamente o que se chama pobreza monetária, ou seja, que vivem em agregados familiares cujo rendimento “per capita” é inferior a 60 por cento da média do rendimento nacional “per capita”, explicou à agência o investigador e docente da Universidade do Minho, especialista em sociologia da infância, Manuel Sarmento. Segundo a vice-presidente da Rede Europeia anti-Pobreza (EaPN) Portugal, Sandra araújo, Portugal continua a ser dos países mais desiguais da Europa o que pode ter consequências ao longo do ciclo de vida das crianças e jovens que depois serão muito mais difíceis de resolver. Se não houver políticas direcionadas para a primeira infância, há tendência para perpetuar ciclos geracionais de pobreza a todos os níveis, avisou.