Número de crianças com menos de 10 anos hospitalizadas com problemas respiratórios quase duplicou e a mortalidade infantil também aumentou consideravelmente, segundo um estudo de especialistas em epidemiologia
Número de crianças com menos de 10 anos hospitalizadas com problemas respiratórios quase duplicou e a mortalidade infantil também aumentou consideravelmente, segundo um estudo de especialistas em epidemiologiaUma análise aos dados de 700 municípios dos nove estados da região amazónica brasileira mais afetados pelos incêndios dos últimos meses, revelou que o número de crianças com menos de 10 anos com problemas respiratórios quase duplicou e que a mortalidade infantil também aumentou consideravelmente em alguns estados. Segundo os investigadores do Instituto Fiocruz, especializados em epidemiologia, o risco de hospitalização por problemas respiratórios na época de incêndios na amazónia era 36 por cento maior em crianças menores de 10 anos que moram nas cidades mais expostas a incêndios florestais. Nessas cidades, foram registadas mais de 5. 000 hospitalizações infantis em maio e junho, enquanto a média mensal de 2008 a 2018 para esses dois meses foi ligeiramente superior a 2. 500. No estado de Rondônia, por exemplo, a taxa de mortalidade de crianças menores de 10 anos por doenças respiratórias foi de 393 por 100. 000 entre janeiro e julho de 2019, em comparação com 287 por 100. 000 registados no mesmo período do ano anterior. E em Roraima, essa taxa aumentou de 1. 427 por 100. 000 entre janeiro e julho de 2018 para 2. 398 por 100. 000 durante os primeiros sete meses de 2019. Diego Ricardo Xavier, epidemiologista da Fiocruz e coautor da pesquisa, alerta que os incêndios e o desmatamento na amazónia têm um forte impacto no sistema de saúde, afetando as populações mais vulneráveis. Os dados de satélite mais recentes do Instituto de Pesquisa Espacial (INPE) mostram que houve quase tantos incêndios na amazónia de janeiro a setembro quanto em todo o ano passado (66. 750 contra 68. 345 em 2018).