Desde o início do ano, mais de 70 menores que mendigavam no Senegal, foram resgatados pela associação dos amigos da Criança da Guiné-Bissau. Instabilidade no país faz aumentar o fenómeno
Desde o início do ano, mais de 70 menores que mendigavam no Senegal, foram resgatados pela associação dos amigos da Criança da Guiné-Bissau. Instabilidade no país faz aumentar o fenómeno a associação dos amigos da Criança da Guiné-Bissau (aMIC) já recebeu este ano 76 crianças guineenses vítimas de tráfico, que mendigavam no Senegal. a última chegou na noite de terça-feira, 3 de setembro, revelou o responsável da organização à agência Lusa. Os menores, conhecidos como talibés (estudantes do Corão), são na maior parte dos casos entregues pelos seus pais a falsos mestres corânicos, que os põem apenas a mendigar, sem lhes dar qualquer instrução. O fenómeno está a aumentar em Bafatá e aumenta também quando o país vive em situação de instabilidade, como por exemplo o facto de praticamente não ter havido ano letivo em 2018/2019, adiantou Laudolino Medina. Em 2018, a aMIC conseguiu resgatar 166 crianças talibés, de nacionalidade guineense, vítimas de tráfico das ruas do Senegal. E desde 2005, já foram recuperadas 2. 263 crianças, a maior parte das quais das ruas de cidades senegalesas. No entanto, o problema continua a ser um tema tabu, por envolver a religião e muitos interesses. Para Maimuna Sila, presidente do Instituto da Mulher e da Criança da Guiné-Bissau, além da erradicação do fenómeno, é preciso criar condições dignas para que as crianças vítimas de tráfico possam ser reintegrados na sociedade.