Depois das tentativas falhadas de repatriamento, os refugiados que fugiram da violência em Myanmar sentem-se indefesos e abandonados, confundidos e entregues a um futuro incerto
Depois das tentativas falhadas de repatriamento, os refugiados que fugiram da violência em Myanmar sentem-se indefesos e abandonados, confundidos e entregues a um futuro incerto a tristeza e o desespero são sentimentos cada vez mais crescentes entre os 1,1 milhões de refugiados rohingya que vivem atualmente nos 34 acampamentos de Cox”s Bazar, no Bangladesh, junto à fronteira com Myanmar. Passados dois anos sobre a crise que levou centenas de milhares de pessoas a fugir da violência, o futuro destes deslocados continua incerto. apesar do governo do Bangladesh ter posto em marcha todas as medidas necessárias para repatriar um número acordado de 3. 450 refugiados rohingya, nenhuma das pessoas constantes na lista se apresentou no dia agendado para o regresso a casa. as duas tentativas de repatriamento (em novembro de 2018 e agosto de 2019) falharam e os refugiados dizem sentir-se indefesos, abandonados e receosos quanto ao seu futuro. Queixam-se que não podem esperar construir um futuro vivendo nos acampamentos do Bangladesh e, por outro lado, pensar em regressar a casa, no estado de Rakhine, em Myanmar, sem garantias de segurança para as mulheres e crianças, e do respeito pelos seus direitos fundamentais, causa-lhes depressão, relata à agência Fides o padre Jeyaraj Veluswamy, do Serviço Jesuíta aos Refugiados. O governo do Bangladesh disponibilizou-se para acolher os rohingya no seu território, mas já começa a acusar o peso deste acolhimento, sobretudo para garantir a segurança dos refugiados. Foi pedido apoio à comunidade internacional e às Nações Unidas para poder repatriar os deslocados, embora sem os resultados desejados. Segundo o padre Veluswamy, a questão da cidadania rohingya continua no centro desta crise de décadas. através da promulgação da lei de cidadania birmanesa, em 1982, o regime militar de Myanmar (ex-Birmânia) privou os rohingya desse direito e passou a defini-los como estrangeiros que vivem ilegalmente no país.