Os fundos prometidos para a «maior operação humanitária no mundo», em curso no Iémen, ainda não chegaram. O problema está a levar ao encerramento de diversas ações de apoio aos iemenitas
Os fundos prometidos para a «maior operação humanitária no mundo», em curso no Iémen, ainda não chegaram. O problema está a levar ao encerramento de diversas ações de apoio aos iemenitas a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou esta semana que está a ser forçada a fechar diversos programas humanitários no Iémen, uma vez que o dinheiro prometido pelos Estados-membros não se materializou. através de um comunicado, Lise Grande, coordenadora humanitária no país, refere que a organização e parceiros estão desesperados pelos fundos que foram prometidos. a responsável afirma que quando o dinheiro não vem, as pessoas morrem.
até agora, menos de metade do valor anunciado numa conferência de doadores, em fevereiro, chegou à organização. a quantia prometida visava dar resposta às necessidades urgentes de mais de 20 milhões de iemenitas. Dos 34 principais programas humanitários das Nações Unidas, apenas três têm financiamento para o ano inteiro. Vários encerraram nas últimas semanas e muitos projetos de larga escala, que visavam apoiar agregados familiares vulneráveis, não puderam ter início.

De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de assuntos Humanitários (OCHa), outros 22 programas serão encerrados ao longo dos próximos dois meses, a não ser que o financiamento seja recebido. Lise Grande refere que todos se envergonham da situação. É de partir o coração olhar nos olhos de uma família e dizer que não se tem dinheiro para ajudar.

Segundo o OCHa, a Organização das Nações Unidas foi forçada a interromper a maioria das campanhas de vacinação do país no passado mês de maio. a distribuição de medicamentos foi suspensa e milhares de profissionais de saúde não estão a receber apoio financeiro. Simultaneamente, planos para construir 30 novos centros de nutrição foram abandonados e encerraram 14 habitações seguras e quatro instalações de saúde mental especializadas para mulheres. Em junho fechou portas uma estação de tratamento de água para campos agrícolas.
a coordenadora humanitária frisa que milhões de pessoas, que não têm culpa de ser as vítimas deste conflito, dependem desta ajuda para sobreviver. Caso a quantia prometida na conferência não seja recebida ao longo das próximas semanas, os bens alimentares para 12 milhões de pessoas serão reduzidos. E deverão ainda ser cortados serviços essenciais para pelo menos 2,5 milhões de crianças malnutridas.
Para além de todo este cenário, 19 milhões de pessoas deverão perder o acesso a cuidados de saúde, incluindo um milhão de mulheres que dependem das Nações Unidas para a saúde reprodutiva. No final de outubro poderão chegar ao fim programas de água potável para cinco milhões de pessoas e dezenas de milhares de agregados familiares deslocados correm o risco de ficar sem abrigo. Esta é a maior operação humanitária no mundo, e quando recebe financiamento, faz uma enorme diferença, defende Lise Grande.