«Se não fosse a recusa de alguns países, a Europa tinha capacidade para acolher muito mais. é uma questão de boa vontade», disse em Fátima a diretora da Obra Católica Portuguesa das Migrações
«Se não fosse a recusa de alguns países, a Europa tinha capacidade para acolher muito mais. é uma questão de boa vontade», disse em Fátima a diretora da Obra Católica Portuguesa das MigraçõesO poder político tem a responsabilidade de colocar a questão das migrações na agenda, e deve procurar-se mudar a narrativa atual referente à migração, disse Eugénia Quaresma, diretora da Obra Católica Portuguesa das Migrações (OCPM), na tarde da última segunda-feira, 12 de agosto, na conferência de imprensa de lançamento da peregrinação internacional aniversária a Fátima.
É pensar um pouco no populismo e na xenofobia, é preciso combater os medos, alertou a responsável, aludindo à necessidade de um trabalho conjunto, que integre todos os países e governos. É importante que se entenda que a questão das migrações é de resolução conjunta e colaborativa, não pode ser só uma questão dos Estados do sul, tem que haver solidariedade na resolução das questões, disse Eugénia Quaresma, dando o exemplo do caso italiano, um país onde o acolhimento aos refugiados se tem colocado de forma mais acentuada.
Na Cova da Iria, a diretora da OCPM referiu que a Igreja Católica portuguesa se encontra a trabalhar para que as pessoas percebam que todos beneficiam com a diversidade e com o acolhimento, e com a capacidade de integrar o potencial que estas pessoas trazem. a responsável alertou também para a necessidade da criação de canais seguros e regulares para as migrações, com o propósito de combater também o tráfico de seres humanos, e de influenciar os Estados a serem mais abertos ou a funcionarem de uma forma mais aberta.
Eugénia Quaresma lembrou o desafio das crianças migrantes e refugiadas, que é cada vez mais uma problemática existente em vários Estados, onde se dá conta que menores chegam muitas vezes desacompanhados, sem nenhum apoio exterior. ao acolher estas crianças estamos não só a cuidar do nosso presente mais a semear o nosso futuro, realçou a responsável, citada pela agência Ecclesia.
No que diz respeito ao programa de Recolocação e Reinstalação de refugiados desde o início da crise migratória, a Europa acolheu quase 46 mil pessoas nessas circunstâncias. Portugal recebeu 1674 pessoas, e dentro destas, 726 chegaram ao país através da Plataforma de apoio aos Refugiados (PaR). Para Eugénia Quaresma, esta quantidade de pessoas acaba com o discurso de invasão que habitualmente é associado a este fenómeno.
Setecentas e vinte e seis pessoas é um número pequenino, se pensarmos que elas estão dispersas por diversas comunidades e regiões. É um número que não custa a aceitar, que não custa a acolher, clarificou Eugénia Quaresma, que apelou a mudanças de mentalidade. Se não fosse a recusa de alguns países, a Europa tinha capacidade para acolher muito mais. É uma questão de boa vontade, não só de política e de condições, é uma questão de conseguirmos contar com todos para melhorar este mundo em que vivemos, frisou.
além de Eugénia Quaresma, interveio antónio Vitalino, bispo emérito de Beja, que acompanha a Obra Católica Portuguesa das Migrações. O prelado defendeu em Fátima a promoção da cultura do encontro, da comunicação e da comunhão. O bispo lembrou que o mundo é marcado pela mobilidade, um fenómeno que não é novidade para o cristão, que sempre foi considerado um peregrino a caminho da terra prometida. No entanto, o prelado deixou um alerta para as guerras, as perseguições, cataclismos e fome.
a par de uma problemática também premente na atualidade, como os efeitos das alterações climáticas, o bispo emérito recordou a realização do Sínodo da amazónia, no próximo mês de outubro, no Vaticano, que tratará da amazónia e do seu significado para o clima a nível mundial. O bispo vogal da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana lembrou que os migrantes portugueses estão em maior número nos países desenvolvidos, onde conservam um amor muito grande ao seu país, às suas famílias e tradições. a peregrinação internacional aniversária celebrada dias 12 e 13 de agosto faz referência aos milhões que se vêem obrigados a deixar as suas casas devido à pobreza, guerra e perseguição étnica e religiosa.