a imigração dos indígenas warao é também um desafio para a Igreja Católica que, de 6 a 27 de outubro, realizará um Sínodo especial para a amazónia, em Roma, Itália. De fato, não está a ser fácil lidar com a mobilidade desse povo
a imigração dos indígenas warao é também um desafio para a Igreja Católica que, de 6 a 27 de outubro, realizará um Sínodo especial para a amazónia, em Roma, Itália. De fato, não está a ser fácil lidar com a mobilidade desse povoO movimento migratório dos indígenas warao, etnia que habita há séculos o delta do rio Orinoco, no estado Delta amacuro e regiões dos estados Bolívar e Sucre, na Venezuela, entra no Brasil pelo estado de Roraima e segue para o amazonas, Pará e Maranhão. Podemos encontrá-los em cidades como Pacaraima, Boa Vista, Manaus, Belém, Santarém e São Luís, a viver com muita precariedade em abrigos, casas e até mesmo na rua ou praças. Uma dessas casas fica na avenida Tarumã, em Manaus, onde se encontram no momento 93 indígenas, muitos deles menores. a casa providenciada pela Prefeitura e o Estado com o apoio da Cáritas e a agência das Nações Unidas para Refugiados (aCNUR), já hospedou 180 pessoas. ainda em Manaus, num outro abrigo, na rua alfredo Nascimento, encontram-se mais 400 warao. Já em Roraima, existem outros três abrigos destinados aos warao e a outras etnias: um deles em Pacaraima, próximo da fronteira, e os outros dois em Boa Vista; no bairro Pintolândia e no espaço Ka Ubanoko (dormitório comum), antigo complexo desportivo abandonado onde também trabalha a Equipa Missionária Itinerante dos Missionários da Consolata. Estima-se que em Roraima, os warao totalizam mais de 2. 000 pessoas. Somando aos que estão em outros estados, esse número ultrapassa os 3. 000. O movimento de entrada e saída é uma constante nos abrigos dos venezuelanos que não param de chegar. Segundo estatísticas da ONU, mais de quatro milhões já deixaram o país do regime de Maduro em busca de melhores condições. a imigração dos indígenas warao é também um desafio para a Igreja Católica que, de 6 a 27 de outubro, realizará um Sínodo especial para a amazónia, em Roma, Itália. De fato, não está a ser fácil lidar com a mobilidade desse povo. algo sério ocorreu em seu habitat para causar esse movimento. Warao significa povo da canoa, pois a relação deste grupo com a água é íntima. Eles são, tradicionalmente, pescadores e coletores, e vivem em comunidades nas zonas ribeirinhas fluviais e marítimas, além de pântanos e bosques inundáveis. Diversos fatores de impacto ambiental causam a deterioração das condições de subsistência e a invasão progressiva das suas terras por agricultores, pecuaristas e mineradoras provocaram, desde a década de 1970, o êxodo territorial dessa etnia para os centros urbanos da Venezuela, intensificado nos últimos anos pela crise que vive o país. Situação na Venezuela as expectativas de uma mudança na Venezuela entraram num impasse devido ao equilíbrio das forças da oposição com as do governo. a interferência das nações e dos poderes económicos externos parece ter cancelado qualquer iniciativa. O líder da oposição, Juan Guaidó, por um lado, não cumpriu suas promessas, enquanto, por outro, o Presidente Maduro conseguiu neutralizar as várias tentativas feitas pela oposição. Em dezembro, Guaidó encerra seu mandato e, se nada mudar, será o terceiro fracasso da oposição. Enquanto isso, a população, como os imigrantes warao, continuam a sofrer. Janaina Paiva, uma das coordenadoras da Cáritas em Manaus, no estado do amazonas, explica que em 2018 atenderam mais de oito mil venezuelanos. a arquidiocese de Manaus, por meio das pastorais sociais coordenadas por padres e congregações religiosas, auxiliam na obtenção de documentos, alojamento, alimentação e assistência social. Mas a escassez de emprego torna difícil a inserção de todos na sociedade. No caso dos indígenas, a casa Tarumã é coordenada por caciques que procuram manter o mínimo de ordem para uma boa convivência entre as famílias que ocupam quartos e o pátio externo. a comida que recebem é partilhada e durante o dia os adultos e jovens saem pelas ruas em busca de mais apoio. Quando dispõem de materiais confecionam o seu artesanato para vender e ajudar na subsistência. Segundo o cacique, um bom número de crianças está matriculada na escola e um Posto de Saúde do bairro dá assistência ao grupo. Mas a falta de condições de higiene na casa tem gerado problemas de saúde como diarreia e vermes principalmente nas crianças. No acolhimento aos imigrantes venezuelanos é preciso olhar para o povo warao de forma diferenciada a fim de os acolher não apenas como estrangeiros, mas como indígenas orgulhosos de sê-lo, com uma rica história, cultura e tradições. Na Venezuela, os missionários da Consolata vivem com o povo warao na cidade de Tucupita e em Nabasanuka, no Delta amacuro, desde 2006, onde desenvolvem a Pastoral Indígena e acompanham com preocupação esse movimento migratório que a partir de 2016 se vem intensificando.