Missão de investigação independente sobre a situação dos direitos humanos em Myanmar encontrou provas de que os militares usam as empresas que controlam para apoiar ações de violência contra grupos étnicos
Missão de investigação independente sobre a situação dos direitos humanos em Myanmar encontrou provas de que os militares usam as empresas que controlam para apoiar ações de violência contra grupos étnicos Os rendimentos que os militares obtêm de negócios comerciais nacionais e estrangeiros aumentam substancialmente a sua capacidade para levar a cabo violações graves dos direitos humanos com impunidade, acusa um relatório da Missão Internacional de Investigação Independente das Nações Unidas, sobre a situação dos direitos humanos em Myanmar. No documento, os investigadores estabelecem com detalhe, e pela primeira vez, o grau em que o exército de Myanmar utilizou os seus próprios negócios, companhias estrangeiras e acordos de armas para apoiar ações brutais contra grupos étnicos. Estes atos constituem crimes graves segundo o direito internacional, evitam a supervisão civil e fogem à responsabilidade criminal, assinalam os especialistas. Perante as provas recolhidas, os membros da Missão defendem que o Conselho de Segurança da ONU deveria impor, de forma imediata, sanções seletivas contra as companhias dirigidas pelos militares, e um embargo de armas a pelo menos 14 empresas estrangeiras, de sete nações, que desde 2016 forneceram a Myanmar aviões de combate, veículos blindados de combate, navios de guerra, mísseis e lançadores de mísseis. Durante este período, o exército levou a cabo violações extensas e sistemáticas dos direitos humanos contra civis, nos estados de Kachin, Shan e Rakhine, incluindo a deportação forçada de mais de 700 mil rohingyas para o Bangladesh, afirmam os investigadores, convidando os consumidores, investidores e empresas a evitarem negócios com empresas afiliadas das forças armadas.