Destruição em áreas protegidas da bacia do rio Xingu, onde vivem 26 povos indígenas, cresceu 44 por cento em maio e junho, comparativamente com o mesmo período do ano passado
Destruição em áreas protegidas da bacia do rio Xingu, onde vivem 26 povos indígenas, cresceu 44 por cento em maio e junho, comparativamente com o mesmo período do ano passado O desmatamento em unidades de conservação na bacia do rio Xingu, nos estados brasileiros do Pará e Mato Grosso, cresceu 44,7 por cento em maio e junho deste ano, em comparação com o mesmo período de 2018, o que reforça a tendência de alta na desflorestação da amazónia e amplia as pressões sobre um dos principais corredores ecológicos. De acordo com os dados publicados a cada dois meses pela Rede Xingu+, que integra 24 organizações ambientalistas e indígenas, entre janeiro e junho deste ano, a região perdeu perdeu 68. 973 hectares de floresta – área equivalente à cidade de Salvador. a bacia do Xingu abriga 26 povos indígenas e centenas de comunidades ribeirinhas, que dependem do bom funcionamento dos ecossistemas locais para sobreviver. É normal que o índice de destruição cresça no meio do ano, quando o clima mais seco facilita os cortes, mas o tamanho do aumento foi considerado alarmante pelos autores do estudo. Para eles, este crescimento explica-se pelas ações do governo de Jair Bolsonaro, que fragilizaram o combate a crimes ambientais e por declarações do próprio Presidente que estariam a encorajar atividades ilícitas, especialmente o garimpo. Para Miguel Trefaut Rodrigues, professor de zoologia da USP e um dos maiores especialistas em répteis e anfíbios do mundo, citado pela BBC News, a bacia do Xingu tem uma importância central nos estudos sobre a dispersão e diferenciação de espécies que habitam as florestas brasileiras. Isso porque a região engloba alguns dos últimos troços preservados onde o bioma amazónico se encontra com o Cerrado – áreas que no passado provavelmente serviram como corredores para espécies que se deslocavam entre a Mata atlântica e a amazónia, tornando-as ambientes megadiversos.