autoridades destruí­ram os campos de desalojados e limitaram a ajuda humanitária na zona de Gedeo, obrigando centenas de milhares de pessoas a regressar às suas aldeias de origem, onde continuam a não sentir-se seguras
autoridades destruí­ram os campos de desalojados e limitaram a ajuda humanitária na zona de Gedeo, obrigando centenas de milhares de pessoas a regressar às suas aldeias de origem, onde continuam a não sentir-se seguras a Etiópia enfrenta uma das piores crises de desalojados do mundo, com cerca de três milhões de pessoas que foram obrigadas a deixar as suas terras, e agora as autoridades começaram a fazer retornar às suas casas centenas de milhares de membros do grupo étnico Gedeo, que haviam fugido da violência da região de Oromia, no sul do país. Para impor o regresso, o governo limitou a ajuda humanitária e mandou destruir os campos de desalojados, mas os ativistas de direitos humanos acusam as autoridades de estar a organizar retornos forçados, que só irão contribuir para agravar a já tensa situação. a prova destes receios está nos muitos retornados agricultores, que ainda não conseguiram cultivar as suas terras desde que regressaram. a nossa quinta fica longe e estou com medo de lá ir, porque algumas pessoas disseram que viram grupos armados Oromo na região, testemunhou Dingete, que agora trabalha à jorna noutra propriedade para alimentar os seus filhos. Por outro lado, vários gedeos dizem-se frustrados com o que entendem ser a fraca atuação da Justiça. Em Cherqo, mais de 1. 000 pessoas fugiram e quase todas as casas foram destruídas. aqueles que cometeram essas coisas não foram presos ou enfrentaram a Justiça – nem uma única pessoa foi capturada, lamenta o administrador local. as autoridades dizem ter trazido de volta quase 100 por cento dos desalojados resultantes dos conflitos entre gedeos e gujis, grupo pertencente à etnia Oromo. Contudo, milhares de pessoas originárias de Guji Oriental continuam a viver na zona Gedeo, aparentemente esquecida. a ajuda alimentar parou de chegar há cerca de dois meses. Centenas de crianças vivem em condições alarmantes e não vão a escola. Estamos a morrer a fome, as pessoas morrem de diarreia, as nossas crianças têm de sair a rua para apanhar comida no lixo e trazer para as suas famílias, queixa-se almaz, uma mulher que na zona Gedeo há mais de um ano.