Especialista das Nações Unidas em pobreza e direitos humanos conclui que as políticas do governo levaram ao empobrecimento sistemático de milhões de pessoas e pede uma nova visão que inclua a compaixão
Especialista das Nações Unidas em pobreza e direitos humanos conclui que as políticas do governo levaram ao empobrecimento sistemático de milhões de pessoas e pede uma nova visão que inclua a compaixão Os resultados da experiência da austeridade são cristalinos. Há 14 milhões de pessoas a viver na pobreza, níveis recordes de fome e falta de habitação, queda na expectativa de vida de alguns grupos, cada vez menos serviços comunitários, e grande redução de policiamento. Esta é, em síntese, a conclusão tirada por Philip alston, especialista da ONU em pobreza e direitos humanos, plasmada num relatório sobre as consequências das políticas do governo do Reino Unido. Segundo alston, a imposição da austeridade foi um projeto ideológico destinado a reformular radicalmente a relação entre o governo e os cidadãos e os padrões de bem-estar do Reino Unido desceram precipitadamente num curto período de tempo, em consequência das escolhas políticas, quando muitas outras opções estavam disponíveis. É difícil imaginar uma receita melhor planeada para exacerbar a desigualdade e a pobreza e minar as perspetivas de vida de muitos milhões, sublinha o especialista, acrescentando que a informação de que o índice de desemprego nunca havia estado tão baixo ignora factos inconvenientes. Entre estes, clarifica alston, o de que isso ocorre em grande parte como resultado do corte nos gastos do governo em serviços, da previsão de que cerca de 40 por cento das crianças estarão a viver na pobreza daqui a dois anos, de que 16 por cento das pessoas com mais de 65 anos vivem em pobreza relativa e de que milhões daqueles que estão no trabalho dependem de várias formas de caridade para sobreviver.