Os dados preocupam.com uma média de idade a rondar actualmente os 67 anos e 40% do clero com mais de 75 anos, a Espanha está a ficar sem sacerdotes. Daqui a 10 anos serão metade do número actual.
Os dados preocupam.com uma média de idade a rondar actualmente os 67 anos e 40% do clero com mais de 75 anos, a Espanha está a ficar sem sacerdotes. Daqui a 10 anos serão metade do número actual. é esta a realidade nua e crua que é denunciada no número de Março da revista católica espanhola 21RS. a reportagem diz que “os jovens não querem ser funcionários do sagrado e da instituição, profundamento clericalizada e que se resiste a procurar outras alternativas como a do sacerdócio da mulher ou a dos padres casados”.
Baseada num estudo feito pela prestigiosa Fundación Santa Maria, a revista apresenta dados concretos: “ainda que Espanha conte ainda com 18. 000 sacerdotes diocesanos, os que falecem duplicam os que se ordenam. ”
a reportagem chama a atenção para o facto a média de idade dos padres em Espanha rondar actualmente os 67 anos e de 40% do clero espanhol ter mais de 75 anos. a conclusão que a revista aponta é lógica: “Daqui a 10 anos o número de padres ficará reduzido a metade”.
Mas a situação das congregações religiosas não é melhor. Os dados da pesquisa apontam para uma perda de “mais de 50. 000 membros desde o final do Concilio Vaticano II (1965)”. Entre outras congregações religiosas a revista aponta o caso dos jesuítas, uma ordem religiosa de origem espanhola, que “perderam em todo o mundo mais de 15. 000 sacerdotes desde os anos 50”, o que corresponde a “um 40% dos seus efectivos”. No geral, a media de idade dos religiosos, em Espanha, é de 68 anos. Cada vez são mais os conventos e mosteiros que fecham as sua portas. Outros mantém-se abertos graças aos “monjes e freiras importados” da Ásia, África e américa Latina.
O autor do artigo, José Manuel Vidal, aponta causas e apresenta mais alguns dados para este fenómeno. as novas gerações mostram certa relutância em entregarem-se de por vida a uma vocação tão exigente. as vocações ao sacerdócio desceram 25% nos últimos 15 anos. Os números são esclarecedores: actualmente “os seminários espanhóis tem 1. 481 aspirantes a sacerdote”, enquanto que em 1990 os seminaristas eram 1. 997. a media de abandono gira entorno dos 25% e 8 em cada 100 são estrangeiros. Os seminários com menos de 5 seminaristas são 15 em todo o país. O caso da diocese de Vitória é emblemático: nos últimos três anos “não há um único seminarista”. a consequência imediata é a de que “mais de metade dos seminários espanhóis correm o risco de fechar. ”
algumas vozes colocam o dedo na ferida e dizem mesmo que o caminho a seguir não é o traçado pela Igreja no momento presente. Para eles a saída não é a de procurar atalhos e soluções paliativas para ir dando respostas a esta situação, como a “reunificação de paróquias, comunidades sacerdotais, pedir que estes não se reformem”, ou mesmo recorrendo “aos reservistas de Deus”, de quem se dão alguns exemplos.
O ex-vigário geral de San Sebastián, José antonio Pagola diz que se deve enfrentar o problema pela raiz, que é o de reflectir sobre o “actual modelo clerical”. E dá como exemplo o sacerdócio feminino. Este teólogo afirma que “a desigualdade de género na Igreja é um assunto pendente. Se a Igreja não quer desaparecer, terá que optar pelo sacerdócio feminino. ” Pagola lamenta que este continue a ser um tema tabu em Roma. Ou ainda o de recorrer aos padres casados que são “mais de 15. 000 em Espanha”. O texto cita o padre casado Julio Pinillos, defensor do celibato opcional, que afirma que o “binómio padres-leigos está destinado a desaparecer, já que é um modelo que está esgotado”.
Como sem ovos não se podem fazer omeletes, e sem padres não se podem atender a todas as paróquias, o estudo mostra que “entre 10% a 15% das paróquias espanholas já se encontram sem padre”
O bispo emérito de Vic, monsenhor Guix, citado na reportagem, reconhece a crise na Igreja espanhola, e tenta uma explicação ao afirmar que “o celibato e o compromisso para sempre assustam as jovens gerações. ” E, recorrendo à veia humorí­stica, conclui dizendo que “Os pais ficam muito orgulhosos que lhe saiam filhos engenheiros, desde que não seja para construir o Reino de Deus”.

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