a malária aumentou em 164 por cento entre os Yanomami, no estado de Roraima, Brasil. No final de 2005 os registros oficiais indicam que se passou de 622 casos de malária em 2004 para 1645 casos em 2005.
a malária aumentou em 164 por cento entre os Yanomami, no estado de Roraima, Brasil. No final de 2005 os registros oficiais indicam que se passou de 622 casos de malária em 2004 para 1645 casos em 2005. Desde meados de 2004, as lideranças, os agentes de saúde e professores Yanomami passaram a denunciar regularmente a degradação da assistência à saúde e o aumento das doenças na Terra indígena Yanomami. Porém, a palavra dos Índios, outrora imprescindí­vel no controle da qualidade do atendimento em saúde no campo, passou a ser sistematicamente desprezada, negada ou abafada pelos dirigentes locais da FUNaS a (Fundação Nacional de Saúde) e do DSY (Distrito Sanitário Yanomami).
Segundo a Comissão Pró- Yanomami, o recrudescer da malária deve-se à mudança da Política de saúde do actual governo. Em finais da década de 80 e década de 90, os Índios Yanomami foram assolados por uma Terrí­vel epidemia de malária, que 1. 600 Índios. a ocorrência ocupou regularmente as manchetes da imprensa nacional e internacional durante uma década. Consideráveis somas de dinheiro público foram investidas para controlar o desastre. Entretanto, os órgãos públicos mostraram-se incapazes de solucionar o problema. a malária tornou-se a principal causa de morte entre os Yanomami, contribuindo também para a elevação das mortes por outras doenças, por seu poder de enfraquecer os indivíduos infectados e de reduzir a capacidade das comunidades de realizar suas actividades de subsistência.
a partir do fim de 1999 foi implementada no país uma reforma visando à gestão descentralizada da saúde indígena com a efetiva participação das organizações indígenas e das instituições não-governamentais.
Foi então realizado na terra Yanomami um mapeamento sistemático das áreas mais vulneráveis à infestação malárica, organizado um rigoroso e permanente sistema de vigilância epidemiológica no campo e estabelecida uma rede bem estruturada de assistência com amplo envolvimento dos Yanomami e de suas lideranças. Estas medidas, que vigoraram até Julho de 2004, permitiram praticamente debelar a incidência de malária na maioria das regiões da área yanomami.
Em 2004, o Governo atual achou por bem cancelar autoritariamente a reforma anterior e concentrou nas Coordenações Regionais da FUNaS a a assistência sanitária nas áreas indígenas. O regresso ao centralismo burocrático foi o ponta-pé inicial para um rápido retrocesso da saúde Yanomami à calamitosa situação dos anos 90. Sem preparo mínimo para assumir a gestão direta da saúde Yanomami, a FUNaS a desmontou a fórmula bem sucedida do Distrito Sanitário Yanomami, de Janeiro de 2000 a Julho de 2004, implementando no seu lugar uma estrutura altamente burocrática, perdulária e ineficiente, rapidamente loteada por indicações de políticos locais e alvo de suspeitas de graves irregularidades.
Os gastos cresceram vertiginosamente, atingindo um gasto mensal que actualmente é mais do que o dobro do que era antes da contra-reforma.
a reestruturação dos serviços sanitários é cada dia mais urgente para que não se repitam as cenas de mortes e de desolação causadas pela malária na Terra indígena Yanomami entre 1987 e 1999, cenas que envergonharam o Brasil durante uma década na imprensa internacional.

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