Na freguesia de São João da Cova, no concelho Vieira do Minho, está situada a única capela dedicada a Nossa Senhora da Begonha existente em Portugal.
Na freguesia de São João da Cova, no concelho Vieira do Minho, está situada a única capela dedicada a Nossa Senhora da Begonha existente em Portugal. O bicentenário da construção do pequeno templo foi celebrado em 2001. assente à face da estrada nacional, que liga Braga a Chaves, o templo merece ser visitado.
Segundo um texto publicado por ocasião deste aniversário, foi a 24 de Junho de 1801 que Domingos Martins GonçAlves, do lugar de Gavinheiros, e a sua esposa Maria Matos, de Louredo, entregaram o pedido de autorização para a construção deste templo.
Domingos Martins GonçAlves, que na altura residia no Porto, era o vice-provedor da Companhia Geral dos Vinhos do alto Douro, um cargo que o obrigava a efectuar muitas viagens. Numa destas deslocações, conta a história, trouxe consigo de Bilbau, na Espanha, a imagem e devoção à Senhora da Begonha, tendo-lhe surgido então a ideia da construção da capela.
Perante o pedido, foi a 26 de Setembro de 1801 que o arcebispo de Braga, Frei Caetano de Brandão, decidiu aceitar o título «novo entre nós da Senhora da Begonha», estabelecendo o respectivo património para a edificação do pequeno templo.
a 22 de Outubro desse mesmo ano, o prelado assina a autorização para a construção da nova capela, tendo começado de imediato as obras. ainda segundo a história, em 1803 já estava ao culto a primeira capela, que seria renovada e acrescida a partir de 1804, ficando concluí­da em 1806.
Desde 1968 até agora, tem sido preocupação do actual pároco de São João da Cova preservar este pequeno templo. O padre José Alves tem-se empenhado no restauro da capela, conservando também toda a documentação, que é rica e abundante, relativa ao templo e à confraria ali instituí­da.
Imagem Peregrina
Uma curiosidade ligada a esta capela é o facto da imagem de Nossa Senhora da Begonha, que veio de Bilbau, onde existe o secular Mosteiro de Santa Maria de Begonha, ser uma imagem peregrina, diferente da representação mais antiga.
a imagem tradicional tem uma altura mediana e representa a Virgem Maria sentada, segurando o Menino Jesus no seu colo. a mão esquerda de Nossa Senhora descansa sobre o ombro do Menino e a sua mão direita segura uma flor. No regaço da Mãe descansa o Menino Jesus, que veste também túnica e manto.com a mão direita faz o gesto da bênção e na mão esquerda segura um livro aberto.
a imagem que se encontra na capela em S. João da Cova é bem diferente e enquadra-se, ao que tudo indica, nas imagens peregrinas da Senhora da Begonha. Na brochura elaborada pela ocasião do bicentenário do templo e da irmandade em Vieira do Minho pode ler-se o seguinte: «Uma dessas virgens peregrinas, talvez a mais rica, nobre e singular, sempre com o Menino ao colo e rosa na mão, veio por mar lá de Vizcaya até à Ribeira-Cávado há 200 anos, trazida por Domingos Martins da Silva e aqui foi calorosamente recebida e venerada». «Conservando a sua pintura primitiva em ouro brunido é verdadeira jóia de arte, além de única, preciosa e inconfundí­vel», acrescenta-se no mesmo texto.
Por fim, há também a salientar que, associado ao nome do fundador da capela, aparece o padre Domingos GonçAlves, de Louredo, que instituiu a Confraria de Nossa Senhora da Begonha neste pequeno templo e realizou um trabalho notável na sua divulgação e expansão espiritual.
assim, desde a abertura da capela ao culto, em 1803, o sacerdote foi o primeiro juiz, por devoção, para zelar pelas esmolas do santuário; conseguiu obter, a 14 de agosto de 1803, a autorização para colocar o primeiro sino de duas arrobas, isto é, de 28 quilos; e a 3 de Setembro desse mesmo ano obteve a graça de anexação à basílica de Latrão, para gozar dos mesmos privilégios.
Sempre de mãos dadas com o fundador da capela, o padre Domingos GonçAlves conseguiu também, em 1803 e em 1804, outros privilégios “in perpetuum” para o templo da Senhora da Begonha, em S. João da Cova, como indulgência plenária para a hora da morte; jubileu para o dia de festa e dia dos Prazeres de Nossa Senhora; e o “estatuto” de altar privilegiado.

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