Hildegart González Luis, professora associada da Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra (Espanha), estudou o tema na sua tese de doutoramento.
Hildegart González Luis, professora associada da Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra (Espanha), estudou o tema na sua tese de doutoramento.
O título da tese é “Estratégias de comunicação e impacto mediático das ONG”. a ideia principal que defende é que o trabalho mediático que realizam as ONG (Organizações Não Governamentais), especialmente as que se dedicam ao desenvolvimento, pode ter influência nos conteúdos dos média e na imagem dos países em vias de desenvolvimento que é transmitida.
Segundo a investigadora, os esforços dedicados à comunicação por parte da ONG aumentaram consideravelmente desde mediados da década de 90. Estas organizações surgiram para executar projectos no terreno, no entanto, a comunicação e a sensibilização já se converteram numa outra função essencial.
No seu trabalho explica que as ONG que se dedicam ao desenvolvimento ainda têm uma influência limitada sobre os conteúdos publicados nos média, com resultados nem sempre positivos. Por exemplo, a opinião pública está sensibilizada para o problema do subdesenvolvimento, especialmente em casos pontuais, mas desconhecem o que os sensibilizou.
Para conseguir o apoio da opinião pública, também a nível económico, muitas ONG basearam a sua estratégia na publicidade, mostrando as carências das populações mais pobres para apelar à sensibilidade. Segundo o estudo, esta estratégia teve consequências negativas, como uma compaixão menos activa, diminuição do sentido de responsabilidade e desconfiança acerca destas organizações. Por isso, começa agora a iniciar um debate sobre o trabalho informativo das organizações de desenvolvimento.
Para a realização deste estudo, González analisou o trabalho na área da comunicação de oito grandes ONG que se dedicam ao desenvolvimento (Intermón, Médicos Sem Fronteiras, Mãos Unidas, Médicos do Mundo, ajuda em acção, acção Contra a Fome, Codespa e o Movimento pela Paz, o Desarmamento e a Liberdade), e cinco meios de comunicação escritos (El país, El Mundo, aBC, Expansión e Cinco Dí­as).
apesar do interessa das suas conclusões, o resultado da investigação de doutoramento ainda não foi publicado, mas González espera fazê-lo em breve. “Espero que se publique em forma de livro, estou a enviar propostas a editoras para ver se há interesse”.
Num mundo onde os média são o quarto poder, é interessante investigar o impacto das ONG neste âmbito.

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