Os El Molo no norte do Quénia são uma tribo em perigo de extinção. a sua vida ancestral dificilmente resistirá às transformações do ambiente e especialmente do clima.
Os El Molo no norte do Quénia são uma tribo em perigo de extinção. a sua vida ancestral dificilmente resistirá às transformações do ambiente e especialmente do clima. Na última semana, foi-me dada a oportunidade de viajar até ao lago Turkana, mais de 600 quilómetros a norte de Nairobi. a finalidade era visitar a missão da Consolata no oásis de Loyangallani e perto dela as duas pequenas aldeias da tribo El Molo, a tribo mais pequena do Quénia com apenas duas centenas de membros.
Foi uma viagem memorável com todas as peripécias tí­picas do safari, por desertos e savanas. Mas a surpresa que mais me tocou e desafiou, foi o facto de encontrar tanta gente em pobreza extrema e até mesmo animais mortos à beira do caminho. No Quénia há praticamente dois anos que não chove e a falta de água faz-se sentir especialmente nas zonas áridas e semi-áridas.
Depois de dois dias de viagem, a vista do lago é muito consoladora, mas é uma consolação passageira porque depressa se descobre que a água é salgada e portanto imprópria para qualquer consumo.
Os El Molo vivem, especialmente, junto ao lago por uma questão de defesa pois em caso de ataque podem refugiar-se numa pequena ilhota a pouca distância da margem. alimentam-se de peixe e pastoreiam alguns animais que nesta altura se encontram a muitos quilómetros de distância numa zona montanhosa onde ainda há alguma água e pastagem.
à volta de Loyangallani estabeleceram-se quatro tribos: os El Molo, os Rendille, os Samburu e os Turkana. El Molo é a única tribo que aí­ vive desde tempos imemoriais. as relações entre as tribos não são muito cordiais e por isso cada tribo tem as suas aldeias e os grupos não se misturam. No dia em que lá estive a missão distribuí­a milho e feijão aos Turkanas. No dia seguinte era a vez dos Samburus e assim por diante.
O encontro com estas gentes é sempre um desafio à mente e ao coração. Pergunto-me quanto tempo poderão ainda viver neste estado de total dependência. Falando com eles vi só sorrisos e um grande entusiasmo de viver. Não lhes parece possível nenhum outro tipo de existência.
Foi há 20 anos que visitara os El Molo pela primeira vez. Olhando para as palhotas e para as pessoas depois de tantos anos, parece-me ter lá estado só ontem. a aldeia parou no tempo. Só as crianças não são certamente as mesmas.como será daqui a 20 anos? Como abraão dizem eles. Digo eu: “Deus providenciará”.

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