Uns dez milhões de fetos femininos podem ter sido abortados na Índia durante as últimas duas décadas, segundo um estudo agora publicado.
Uns dez milhões de fetos femininos podem ter sido abortados na Índia durante as últimas duas décadas, segundo um estudo agora publicado. Um grupo de cientistas analisou os números da fertilidade feminina a partir de um inquérito nacional a seis milhões de pessoas. Chegaram à conclusão que em 1997 nasceu menos meio milhão de raparigas do que o esperado. ao aplicar esta descoberta a um prazo de 20 anos, já estarí­amos a falar de uns 10 milhões de raparigas, concluí­ram os investigadores no seu relatório, publicado no jornal de medicina The Lancelot.
Frisaram que o aborto selectivo de fetos femininos é a explicação mais provável para este fenómeno. “Estimamos que a determinação do sexo antes do nascimento e o aborto selectivo são responsáveis por meio milhão a menos de raparigas por ano”, disse Prabhat Jha, doutor da Universidade de Toronto, no Canadá, que liderou o estudo. O estudo vem ao encontro das estimativas da associação Médica da Índia, que calcula em cinco milhões o número de fetos femininos mortos cada ano no país.
a Índia tem actualmente uma população de mais de mil milhões de habitantes. a importância do sexo do bebé deve-se a factores sociais. “Ter uma filha é social e emocionalmente aceitável se já houver um filho, mas a chegada de uma filha normalmente não é bem vinda se já houver outra filha”, disse o professor Shirish Sheth, do Breach Candy Hospital em Mumbai, Índia, em comentário ao estudo.
a determinação do sexo do feto e a terminação médica da gravidez devido ao sexo do feto é ilegal desde 1994, mas Sheth disse que há provas de um crescente número de abortos de fetos femininos na Índia, onde as filhas são vistas como um problema.

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