Dados recolhidos pelo Instituto Nacional de Estatí­stica em 2016 revelam que dois milhões e 595 mil residentes encontravam-se em risco de pobreza ou exclusão social, ou seja, 25,1 por cento da população
Dados recolhidos pelo Instituto Nacional de Estatí­stica em 2016 revelam que dois milhões e 595 mil residentes encontravam-se em risco de pobreza ou exclusão social, ou seja, 25,1 por cento da populaçãoOs resultados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (EU-SILC) indicam que o rendimento monetário disponível mediano por adulto equivalente foi, em termos nominais, de 8. 782 euros em 2015, e que o rendimento equivalente mediano para as pessoas em risco de pobreza foi de 3. 865 euros no mesmo ano. O crescimento dos rendimentos monetários equivalentes entre 2014 e 2015 foi abrangente a todas as classes de rendimento, mais expressivo para as pessoas com menores rendimentos (1º decil,para 10% dos dados mais baixos).

Em 2016, dois milhões e 595 milhares de residentes encontravam-se em risco de pobreza ou exclusão social, ou seja, 25,1%, o que representa menos 1,5 pontopercentual do que no ano anterior. Do total de pessoas em pobreza ou exclusão social, 18,8% (cerca de 487 mil) eram menores de 18 anos e 18,0% (cerca de 468 mil) eram pessoas com 65 ou mais anos.
as condições habitacionais adversas, como sejam o número de divisões habitáveis, a falta de instalações sanitárias e as precárias condições físicas e de luminosidade do alojamento afectam mais frequentemente as pessoas em risco de pobreza e as famílias com crianças. a sobrecarga das despesas em habitação afectou quase 30% da população com menores rendimentos em 2016.

O rendimento médio por agregado familiar foi de 17. 967 euros anuais em 2015, ou seja, 1. 497 euros por mês. Por agregado familiar é mais 79 euros por mês do que em 2014. Em termos nominais, o dinheiro disponível por agregado familiar em 2015 situou-se ao nível do rendimento de 2006 (17. 926 euros).
a análise do Inastituto Nacional de Estatísticas (INE) dos resultados a preços constantes revela um crescimento em termos reais de 5,9% entre 2013 e 2015. É uma recuperação de um terço da quebra verificada entre 2009 e 2013. O rendimento por adulto continuou a aumentar em 2015, mas permanece muito abaixo da Europa. a comparação com os resultados disponíveis para a União Europeia (UE) indica que o rendimento por adulto português corresponde a pouco mais de metade (52%). a diferença é mais acentuada (50%) quando se comparam os rendimentos da população em risco de pobreza na UE e em Portugal.

Os números apurados pelo INE, referentes a 2016, demonstram que continuamos a navegar em águas agitadas de pobreza e exclusão social. Porém, tão importante como os números, é a necessidade de encontrar soluções. Recentemente o Presidente da República fez algumas declarações no sentido de acabar com os sem-abrigo no nosso país, uma das franjas da pobreza e exclusão social. Marcelo Rebelo de Sousa pediu que a nova estratégia do Governo de combate à situação dos sem-abrigo seja aplicada já este ano, para que este problema esteja erradicado em 2023.
Questionado se o Governo tem actuado com eficácia neste domínio, o chefe de Estado sublinhou que o horizonte de aplicação da anterior estratégia terminou em 2015 e que 2016 foi um compasso de espera para que o executivo apresentasse a nova estratégia 2017-2023.

Mas o combate à pobreza tem de ir mais longe. O problema dos sem-abrigo é importante para cativar as atenções, mas o grosso da situação abrange mais de dois milhões e meio de pessoas. Há necessidade de criar políticas baseadas na justiça social, e isso é bem mais difícil de atingir se não houver vontade política.
Os mais pobres e excluídos, que sempre existirão, têm servido como arma de propaganda política para todos os partidos. Mas a verdade é que tarda a percepção por parte dos políticos, de que a situação tem de ser resolvida, dado ser um caso de justiça social. O país é um só, e portanto o Governo deve governar para todos, procurando criar políticas de molde a ir ao encontro dos mais carenciados, É uma obrigação e não um favor!