a Europa parece ter esquecido o muro de Berlim, levantado pela Rússia em 1961, que dividiu a alemanha em dois Estados. a sua queda em 1989 foi comemorada com grande alegria pelos europeus que agora erguem novos muros
a Europa parece ter esquecido o muro de Berlim, levantado pela Rússia em 1961, que dividiu a alemanha em dois Estados. a sua queda em 1989 foi comemorada com grande alegria pelos europeus que agora erguem novos murosDevido ao fluxo de migrantes, provenientes dos países em guerra ou com economias débeis, que demandam a Europa em busca de melhores condições, alguns países europeus decidiram fechar as suas fronteiras com muros. Foi anunciado este mês que Calais, no norte de França, vai passar a ter um muro com um quilómetro de comprimento e três metros de altura, para impedir que migrantes e refugiados tentem entrar no Reino Unido através do Canal da Mancha.

apesar da polémica da construção deste muro, esta não é a primeira vez que um país europeu barra a entrada no seu território. a Bulgária foi o primeiro país a construir um muro ao longo da fronteira com a Turquia, em agosto de 2015. a seguir foi a Hungria com um muro ao longo da fronteira com a Sérvia, concluído em Setembro de 2015 e, um mês depois, outro na fronteira com a Croácia. a Eslovénia mantém desde Novembro do último ano uma vedação de arame farpado na fronteira com a Croácia. No mesmo mês a Macedónia acabou a construção de um muro ao longo da fronteira com a Grécia. Já este ano, em abril, a Áustria começou a construir uma vedação na fronteira com Itália.
a França, é o último país a construir um muro, após os ataques em Paris, depois dejá ter imposto um controlo mais rígido nas suas fronteiras. a Noruega, Bélgica e Eslováquia também estão a impor medidas de maior controlo nas suas fronteiras para impedir a entrada de migrantes.

O Papa Francisco na sua visita à Polonia, em Julho passado, pediu aos católicos em Cracóvia para acolherem aqueles que vêm de outras culturas, outros povos, e até aqueles de quem temos medo porque pensamos que nos podem fazer mal. Na Polónia, país que tem sido um dos mais críticos da União Europeia em relação ao acolhimento de refugiados, o Papa insistiu: lancem-se na aventura de construir pontes e destruir muros, vedações ou redes. as palavras que Francisco dirigiu aos jovens na Polónia deveriam servir de reflexão aos governantes europeus que insistem em impedir a entrada de refugiados e migrantes nos seus países.
Recordamos que a União Europeia tem como hino oficial um Poema do poeta alemão Friedrich von Schiller que Ludwig van Beethoven adaptou para a letra do quarto andamento da sua nona sinfonia. O Hino à alegria é belo e o seu encanto deveria perdurar. Citamos apenas o último verso que nos parece paradigmático: Quem um só ente conquistou, seja citado no mundo, mas se na alegria falhou,ficai só moribundo!. E os europeus estão a falhar.

O coordenador do Governo grego para os refugiados e migrações, Dimitris Vitsas, afirmou recentemente que a Europa deve construir um muro de humanidade contra a xenofobia, numa alusão aos países da União Europeia (UE) que insistem no reforço das suas fronteiras. Não devem existir muros nos Estados-membros da UE; tem a ver com o futuro dos direitos humanos e da democracia, acentuou ainda. a Grécia, é um dos países que mais migrantes tem recebido, apesar da economia débil e caótica que a sustenta.
a tão falada solidariedade europeia anda pelas ruas da amargura, mesmo que compreendamos que a situação económica de muitos Estados também seja difícil. Urge a necessidade dos responsáveis europeus encontrarem uma via de entendimento, que seja no mínimo consensual, e permita acolher responsavelmente quem precisa e nos procura.