«Não podemos esquecer o combate social de todos os dias por pessoas de carne e osso que têm necessidades básicas por satisfazer», referiu o chefe de Estado no Dia Internacional da Caridade, comemorado em Setúbal
«Não podemos esquecer o combate social de todos os dias por pessoas de carne e osso que têm necessidades básicas por satisfazer», referiu o chefe de Estado no Dia Internacional da Caridade, comemorado em Setúbal
a visita de Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) a Setúbal, que teve lugar no passado dia 5, começou na residência temporária para jovens mães e adolescentes grávidas, a primeira da Cáritas local, em instalações cedidas pela Câmara Municipal de Setúbal.
O Presidente descerrou a placa da nova casa de acolhimento, tendo seguido depois para o Centro Social Nossa Senhora da Paz, na Bela Vista, onde Eugénio Fonseca e a secretária de Estado da Cidadania e da Igualdade, Catarina Marcelino, assinaram um protocolo que garante o funcionamento da casa até ao final do ano.
No seu discurso o Presidente MRS destacou o papel que a Cáritas e outras instituições sociais ligadas à Igreja Católica têm desempenhado no auxílio aos mais desfavorecidos, mas lembrou que a saída da crise não é rápida, nem fácil nem igual para todos. Deixou um recado ao Governo, ao pedir equilíbrio entre rigor orçamental e politicas contra a pobreza, dizendo que não podemos esquecer o combate social de todos os dias por pessoas de carne e osso que têm necessidades básicas por satisfazer.
Eugénio da Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa, também discursou, mas foi mais longe, deixando assertivos recados à classe politica. Vale a pena debruçar-nos um pouco sobre as palavras que proferiu. Esta casa, a Cáritas, é um lugar especial. É a casa de centenas e centenas de portuguesas e portugueses aflitos. as portas da Cáritas estão sempre abertas a todos os concidadãos/ãs que, por alguma razão, passam necessidades, vivem atormentados pelo dia-a-dia e sofrem com a crise económica, com os baixos rendimentos, com o desemprego, com a exclusão, com a pobreza.
Porque conhecemos as lágrimas das mulheres e dos homens desempregados que não sabem como alimentar os seus filhos; porque conhecemos os rostos e as palavras de desalento de milhares de famílias para quem a vida se tornou num tormento por nunca se libertarem do espectro da pobreza; porque conhecemos a humilhação – a palavra é dura mas é assim mesmo: humilhação – de quem tem de pedir para comer, para se vestir, para poder sobreviver no dia-a-dia; porque temos as portas das Cáritas sempre abertas, sabemos, caro amigo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que aquilo que dizemos é escutado por si com a maior atenção.
O presidente da Cáritas Portuguesa alertou ainda: Os últimos anos têm sido extremamente difíceis para milhares de portugueses.combater a pobreza, a exclusão social, o desemprego, é uma tarefa de todos. aqui não há ideologia, nem isto pode ser tema para se ganhar votos, para comícios eleitorais.com a vida das pessoas não se brinca. Os que estão no limbo da precariedade merecem saber quem os levou para tal situação e porque continuam num estado precário. Sei de casos de concidadãos nossos – e, infelizmente, são cada vez mais – que procuram maquilhar, retirando competências aos próprios currículos para poderem ser elegíveis para empregos mais básicos e, mesmo assim, continuam sem trabalho. Ou então, têm que emigrar.
Os mais pobres, os que passam mais dificuldades, os que batem às portas das Cáritas e de outras Instituições são portugueses como nós, pessoas com rosto, com nome, com uma história, são pessoas que precisam de ajuda. Tenho a certeza de que esta será certamente uma prioridade do governo da nação.como anteriores presidentes, Vossa Excelência também se empenhará para que aqueles que nos governam não se desviem desta rota.
Eugénio Fonseca foi cuidadoso nas palavras proferidas, mas disse o suficiente para ser perceptível pelas pessoas de boa vontade. Já MRS foi frontal – o cargo assim o permite – e tocou na ferida ao recomendar ao Governo equilíbrio entre o rigor orçamental e políticas contra a pobreza.com estas palavras disse tudo. assim os responsáveis entendam e tenham a coragem (o dever têm sempre) de o por em prática. O desequilíbrio entre pobres e ricos tem vindo a aumentar consecutivamente e resulta das políticas que são adoptadas, ou não, por quem governa este país.
Coragem e vontade (política, entenda-se) parece ser o que tem faltado às últimas equipas de políticos que gerem este país, façamos votos que, de uma vez por todas, utilizem o poder de que dispõem para acertar o passo no caminho de apoio aos mais desfavorecidos. E terá que ser hoje, pois amanhã já é tarde para muita gente.