Um estudo divulgado agora pela Deco confirma que os portugueses não conhecem como funcionam as instituições nacionais e que, quando confrontados com a isenção destas, assumem não confiarem nas mesmas
Um estudo divulgado agora pela Deco confirma que os portugueses não conhecem como funcionam as instituições nacionais e que, quando confrontados com a isenção destas, assumem não confiarem nas mesmasSe os resultados deste primeiro inquérito da associação de Consumidores (Deco) sobre a confiança dos consumidores não constituem uma novidade, a verdade é que se infere daqui um elevado grau de responsabilidade para as instituições em causa. É suposto que as instituições públicas existam para servir as pessoas, logo têm o dever de assegurar uma informação adequada da sua função, para além de servir eficazmente.
Por outro lado é um sintoma de que os portugueses também se alheiam dos seus deveres e direitos perante as instituições que os servem, o que revela uma irresponsabilidade alargada. Se tivermos em conta, no que respeita às instituições nacionais, que 77% dos inquiridos respondeu que não sabe quais são os seus direitos enquanto utentes do Serviço Nacional de Saúde, é deveras esclarecedor. Estamos a falar de um dos serviços mais importantes para a população: a saúde.
O ranking da confiança dos portugueses espelha a descrença nacional relativamente às instituições abrangidas pelo estudo da Deco. De 1 a10 os portugueses que responderam a este inquérito não confiam acima dos 5,9%, uma positiva mesmo à tangente para instituições tão díspares como o exército e a polícia (ambos com 5,9%), o sistema público de ensino (5,6%), a Igreja (5,4%) ou a televisão pública (5,3%). Nestes números o que constitui alguma surpresa é a percentagem de 5,4% de confiança atribuída à Igreja, quase a par do exército, policia, sistema público de ensino e televisão pública. Já a falta de confiança no sistema público de ensino (5,6%) é mais grave, dado tratar-se de um sector primordial para as pessoas. É graças ao êxito, ou não, do ensino no seu todo que se desenha o futuro dos portugueses. Estes números não deixam grandes dúvidas: o ensino público vai mal em Portugal.
Se os resultados do inquérito sobre a confiança dos consumidores num conjunto de instituições nacionais são más, o que dizer das instituições internacionais, estas são mesmo arrasadoras. O nível de desconfiança, por exemplo, relativamente ao Fundo Monetário Internacional (FMI), Organização Mundial de Saúde e Parlamento Europeu oscila entre os 60 e os 70%, perfazendo elevados níveis de desconhecimento (no mesmo nível percentual) relativamente ao seu funcionamento, objetivos e composição.
Claro que temos que ler isso no contexto da crise económica dos últimos anos, mas o certo é que o FMI, Banco de Portugal e o Banco Mundial estão no fim da lista, não conseguindo atingir os 3,5% de confiança. a grande maioria dos portugueses (70% ou mais dos inquiridos) desconfia, sobretudo, da autonomia destas instituições em relação a grupos económicos, governos e forças políticas, esclarece a Deco.
Será interessante referir também um inquérito da responsabilidade da aximage, efectuado em Maio passado, sobre o mesmo assunto. Esta empresa perguntou aos 600 inquiridos do barómetro político de Maio qual o grau de confiança que têm nas instituições e as respostas permitem concluir que os portugueses confiam mais nos jornalistas e na comunicação social do que nos políticos e na Igreja Católica.
a empresa de sondagens pediu aos inquiridos para avaliarem oito instituições com um grau de confiança que varia entre grande, médio ou pequeno.com base nas respostas, construiu um índice de confiança, que oscila entre 0 e 20. a instituição em que os inquiridos mais confiam são os amigos e conhecidos, que recebem um índice de confiança de 15,1.
É espantosa esta comparação do grau de confiança nas instituições e no colectivo de amigos e conhecidos, mas ainda mais invulgar será o peso de confiança depositado neste segmento, em detrimento das instituições. É um bom tema de reflexão para todos nós.