a tomar “o pulso” aos desafios que tem pela frente, o novo Superior Provincial dos Missionários da Consolata em Portugal, padre Eugénio Butti, 64 anos, tem já uma certeza: a missão existe para anunciar o Evangelho e deve crescer a partir dos valores da fé
a tomar “o pulso” aos desafios que tem pela frente, o novo Superior Provincial dos Missionários da Consolata em Portugal, padre Eugénio Butti, 64 anos, tem já uma certeza: a missão existe para anunciar o Evangelho e deve crescer a partir dos valores da féQue estratégia vai adotar a nova direção para reforçar a presença do Instituto Missionário da Consolata em Portugal?Temos que tomar consciência da caminhada que estava a ser feita, valorizá-la, levá-la para a frente e, eventualmente, escolher novos caminhos, mas numa ótica de continuidade. Penso que não podemos fugir aos sete valores indicados pela última Conferência Regional: consolação, universalidade, respeito pela vida, comunidade, partilha, trabalho e fé cristã. São valores que fazem parte do nosso património e talvez tenhamos que reforçá-los, vivê-los e atualizá-los, a partir da fé cristã. Ou seja, relembrar que existimos para pregar o Evangelho. a nossa missão é a missão “ad gentes”, com uma finalidade clara, que é fazer conhecer Jesus Cristo a quem não o conhece. E é preciso ter a consciência que o resultado do nosso trabalho missionário não depende de nós, mas sobretudo da comunhão e amizade profunda com Jesus, que nos disse: “Sem mim nada podeis fazer”. Devemos comunicar o Evangelho pela nossa vida, pela maneira de ser, e não apenas pelas palavras e pelas obras. a Europa enfrenta hoje um período difícil.como podem os missionários tornar-se presença consoladora e protetora junto dos mais vulneráveis?Os vulneráveis são os pobres, os idosos, os refugiados mas são também aqueles que procuram um sentido verdadeiro e pleno para a sua vida. Podem ser até os que vivem na abundância, mas que estão tristes e insatisfeitos, por terem uma vida sem sentido. a nossa missão deve dirigir-se também a todas essas pessoas. Vivemos numa Europa que foi cristã, mas que parece não se interessar mais pelos valores cristãos e acha que pode construir uma sociedade sem Deus. Hoje insiste-se muito na laicidade, o que pode ser bom, mas também muito empobrecedor. Uma sociedade sem Deus é uma sociedade frágil, sem pontos de referência. Portanto, e recordando a frase do Evangelho – “Construir a casa sobre a rocha” – , diria que a nossa contribuição na Europa é também ajudar a construir esta casa sobre a rocha, que é Cristo. É preciso reconstruir a nossa vida sobre alicerces verdadeiros, que já existem, mas talvez tenham sido esquecidos. Temos que ajudar a sociedade a reencontrá-los. Os missionários sempre se movimentaram nas periferias da sociedade, onde há sofrimento e solidão. Essa é uma missão que urge desenvolver também em Portugal e na Europa?Esse é o grande desafio sobre o qual todos estamos a refletir. De facto, não é fácil reposicionarmo-nos nesta realidade. antes, era mais fácil entender a nossa missão. Ir aos pagãos, era ir a África, ou à Ásia, ou a territórios onde a fé ainda não estava anunciada. agora percebemos que também aqui encontramos realidades que os missionários encontravam quando iam a África. Encontramos pessoas e comunidades que do Evangelho não sabem nada ou quase nada. O grande desafio é ir ao encontro dessas pessoas. Muitas vezes perdemo-nos em discussões, do que fazer e como fazer, quando o importante é percebermos o que significa ser missionário. acho que esta questão não está ainda bem clara. E para si o que significa ser missionário?É, antes de tudo, comunicar uma experiência de encontro com o Senhor, que deu sentido à minha vida. a vida é bela vivida com Jesus. Não é a mesma coisa viver a vida com Cristo ou sem Cristo. Quem não tem Cristo na sua vida, que perspetiva tem de futuro? Uma barreira? Mas quem acredita em Jesus sabe que não é uma barreira que encontrará no fim da vida terrena, mas braços abertos que o acolhem. Por isso, evangelizar é ajudar as pessoas a encontrarem-se com a pessoa de Jesus, para que possam descobrir nele o sentido da sua vida, a alegria de viver, a força para enfrentar as situações difíceis da vida, para dar sentido à dor, ao trabalho, e também à morte.como pode fazer-se essa evangelização numa sociedade tendencialmente secularizada como a europeia?O Papa Francisco dá-nos indicações claríssimas, quando diz que a Igreja não deve fazer proselitismo. Não devemos obrigar ninguém a crer, temos é que propor aquilo que para nós é um tesouro, e comunicá-lo por irradiação, através de uma vida coerente com o Evangelho, formando comunidades fraternas. E anunciar o Evangelho não é só tarefa dos missionários, mas de todo o cristão, que é chamado a ser coerente, a interessar-se pelos outros, a comunicar o amor que está no seu coração, as convicções que o animam e que dão sentido à sua vida. Por isso, gostaria que a Família da Consolata, desde missionários, leigos, amigos e benfeitores, se unisse nesta tarefa evangelizadora.