a área ardida em Portugal desde o início do ano até sexta-feira passada já soma mais de 101 mil hectares, o equivalente a mais de 101 campos de futebol. O nosso país tem metade da área ardida da União Europeia este ano
a área ardida em Portugal desde o início do ano até sexta-feira passada já soma mais de 101 mil hectares, o equivalente a mais de 101 campos de futebol. O nosso país tem metade da área ardida da União Europeia este anoOs dados são do Sistema Europeu de Informação de Fogos Florestais (conhecido pela sigla EFFIS) e mostram que Portugal, sozinho, é responsável por mais de metade da área ardida em todos os países da União Europeia em 2016. Esta sexta-feira o observatório europeu contava 201 mil hectares ardidos em toda a União Europeia (UE) desde o início de Janeiro. Em Portugal, ao longo do dia 12 passado, a área ardida passou de 90 mil para os 101 mil hectares, colocando o nosso país a representar mais de 50% do total dos 28 países da UE. No entanto, e dado que os fogos continuam, é de considerar que estes números ainda continuarão a aumentar.como foi possível chegar a esta situação?
Recordamos que em 21 de abril passado, Jaime Gomes, secretário de Estado da administração Interna disse que existiam todas as condições para que 2016 fosse um ano melhor que o anterior no que respeita a incêndios. O Ministro da pasta afinou pelo mesmo diapasão e afinal este vai ser um dos anos mais calamitosos de sempre no que respeita aos fogos.
Era demasiado fácil culpar apenas os incendiários. Esses deveriam ser punidos com rigor tal como se de terroristas se tratassem, mas a verdade é que os mais responsáveis da situação são os sucessivos Governos deste país. Mas vamos por partes. Outrora existiu uma entidade que se designava por Serviços Florestais (e não há país nenhum no mundo, com uma grande área florestal, que não possua o seu Serviço Florestal), um organismo que vinha do século XIX. a extinção deste serviço coube ao Governo PSD/CDS. O então secretário de Estado das Florestas, Daniel Campelo retirou os Serviços Florestais do Ministério da agricultura em 2011 e colocou-os no Instituto de Conservação da Natureza (ICN) diluindo os poderes desta. Os guardas florestais existentes na ocasião passaram para o serviço da GNR e acabaram-se os vigias da floresta que tão bom serviço prestavam a detetar e impedir que os fogos avançassem. Não será a má gestão da área florestal, por parte do Estado, também responsável da situação?
O problema que se discute actualmente em relação aos fogos é se o Estado deveria manter a maior parte dos meios, apostando no combate aos incêndios, ou enveredar seriamente pela prevenção. (praticamente abandonada). Mas no que respeita ainda ao combate convém lembrar que os meios aéreos são demasiado importantes para a eficácia, daí a necessidade de uma melhor coordenação e de preferência sob a responsabilidade da Força aérea.
Quanto à aposta na prevenção é uma necessidade que não pode ser descurada e os responsáveis políticos, incluindo o Governo, já começaram a aceitar essa realidade. Na verdade só não vê isso quem não quer. Na prevenção há muito a fazer, o cadastramento da floresta, o seu possível emparcelamento e ainda a organização adequada deste sector tão importante para o país, pois é uma fonte de rendimento muito importante. O próprio Presidente da República defendeu ontem a necessidade de começar a pensar a sério em tratar o ordenamento do território logo no final de agosto, início de setembro, durante uma visita a áreas ardidas na região de Gouveia.
Para Fernando Curto, presidente da associação Nacional dos Bombeiros Profissionais, o problema é o mesmo há anos: a falha da aposta na prevenção. O resultado é o que temos visto nos últimos dias: incêndios de 35 horas, mais de cinco mil operacionais no terreno só em Portugal continental, o que é um exército, e bombeiros a trabalhar há mais de 24 horas e pagos a 1,87 euros à hora. Fernando Curto critica o facto de o país se ter acomodado no voluntariado, onde se concentra um verdadeiro exército para o combate aos incêndios. Realça ainda a questão das várias forças colocadas na frente de combate como um problema e não parte da solução. Era preciso pensar em não pôr a GNR a apagar fogos com o Grupo de Intervenção, Proteção e Socorro (GIPS). Os fogos têm de ser extintos por bombeiros. À Guarda e ao Exército deve caber o maior papel na prevenção, rescaldo e fiscalização.
Paulo Fernandes, especialista em incêndios e investigador no Departamento de Ciências Florestais da Universidade de Trás-os-Montes e alto Douro (UTaD) disse que o país precisa de uma reforma estrutural na forma como se combatem os incêndios em Portugal. Se o diagnóstico é complexo, as respostas possíveis são ainda mais complexas. O combate aos incêndios é um puzzle, com várias peças por juntar. É preciso atacar em todas as frentes, mas de forma integrada, afirma Paulo Fernandes. O ideal, continua o investigador da UTaD, seria colocar a tónica no reforço da prevenção e da gestão florestal. Mas isso requer muito trabalho e muito tempo, diz. E é preciso encontrar respostas mais rápidas, pois se tal não acontecer Portugal vai continuar a arder, acrescentamos nós.
apesar de tanta desgraça, há valores que unem as pessoas nestas ocasiões. Os exemplos dos populares que ajudaram em trabalho e meios os bombeiros que estavam no terreno não deve ser esquecido. É um exemplo para tantas pessoas e entidades que apenas se servem dos soldados da paz.