Organização criou a figura do agente de saúde comunitário e conseguiu duplicar o alcance do tratamento nutricional. Mais de 700 mil crianças menores de cinco anos sofrem de desnutrição
Organização criou a figura do agente de saúde comunitário e conseguiu duplicar o alcance do tratamento nutricional. Mais de 700 mil crianças menores de cinco anos sofrem de desnutrição a falta de capacidade dos serviços de saúde para responder às elevadas taxas de desnutrição e mortalidade infantil registadas no Mali levou a organização não governamental ação contra a Fome a desenvolver um projeto pioneiro, que aposta no princípio da proximidade para facilitar o acesso da população aos serviços de saúde. Conseguimos duplicar o alcance do tratamento nutricional através da figura do agente de saúde comunitário, pessoal médico rural do sistema público de saúde que até agora se centrava apenas no tratamento da malária, diarreia e infeções respiratórias. Formando-os especificamente para diagnosticar e tratar a desnutrição, ficam superadas as barreiras físicas e económicas que podem separar as populações mais isoladas do tratamento, explica Pilar Charle, médico nutricionista da organização. Em plena estação da fome, três milhões de pessoas enfrentam uma situação de insegurança alimentar no Mali e mais de 700 mil crianças menores de cinco anos sofrem de desnutrição. Quase metade da população, a maioria das zonas rurais, não dispõe de serviços de saúde num raio de cinco quilómetros, e muitas mortes ocorrem em casa porque os doentes não chegam a deslocar-se aos centros de saúde, ou fazem-no já demasiado tarde. Num momento em que só uma em cada 10 crianças com desnutrição aguda tem acesso a tratamento, o maior desafio para as organizações humanitárias era ampliar massivamente o alcance dos alimentos terapêuticos prontos a serem usados. O desenvolvimento destes concentrados nutritivos que permitem salvar uma criança sem ser hospitalizada marcaram um antes e um depois na luta contra a fome. Passos como o de agora, fundamentais para a sua difusão, podem marcar um novo ponto de inflexão. Podemos fazer história convertendo-nos na geração que acabará com a fome, resume, por sua vez, o diretor técnico da ação contra a Fome, amador Gómez.