Cerca de um terço dos alimentos são desperdiçados em todo o mundo, mas este número sobe para os 40% no caso da Europa. alguns países europeus já aprovaram leis contra o desperdí­cio alimentar
Cerca de um terço dos alimentos são desperdiçados em todo o mundo, mas este número sobe para os 40% no caso da Europa. alguns países europeus já aprovaram leis contra o desperdí­cio alimentarapós a França haver criado uma lei contra o desperdício alimentar, foi agora a Itália a seguir o mesmo caminho na passada terça-feira. ao contrário da legislação aprovada em França este ano, em Itália não se prevê multas para os supermercados que armazenem demasiados bens alimentares, mas antes sensibilização e incentivos que levem os proprietários de restaurantes e supermercados a oferecerem a comida que possuem em excesso.
Para Maria Chiara Gadda, deputada do Partido Democrático, que apresentou o projeto de lei italiano, punir quem desperdiça comida não é útil: o que pretendemos é encorajar as doações, disse. assim, o Estado italiano propõe-se, entre outras coisas, diminuir a taxa de impostos sobre o lixo, redução essa que será proporcional à quantidade de alimentos doados. atualmente, o desperdício de alimentos custa ao estado italiano cerca de 12 billiões de euros por ano. Segundo o The Telegraph, esta proposta recebeu o apoio de vários partidos. De acordo com Maurizio Martina, ministro da agricultura italiano, consegue-se recuperar atualmente 550 milhões de toneladas de alimentos, por ano, mas queremos atingir o dobro em 2016.

O projeto tem como principal objetivo acabar com a burocracia existente no sistema italiano, uma vez que um estabelecimento que queira fazer uma doação de alimentos tem de avisar com mais de um mês de antecedência a sua intenção. a proposta que está a ser debatida pretende que as doações sejam controladas mensalmente. Outra intenção desta lei é alterar algumas regras em relação a alguns alimentos, de modo a autorizar a sua doação, mesmo depois de ter sido ultrapassado o prazo de validade.
O investimento de um milhão de euros anuais no desenvolvimento de novas embalagens para acondicionar comida, ao longo dos próximos três anos, é outra medida incluída na proposta de lei. Paralelamente, está a ser financiada uma campanha, também no valor de um milhão de euros, para estimular os clientes a pedirem as sobras das suas refeições nos restaurantes.

E Portugal? No nosso país calcula-se que cerca de um milhão de toneladas de alimentos sejam desperdiçados por ano. Há, no entanto, várias organizações que têm lutado, e com efeitos muito positivos, pela redução do desperdício como é o caso da Re-Food, do movimento Zero Desperdício e do projeto Fruta Feia.
Starbucks é outra empresa (multinacional) que se comprometeu a doar 100% dos alimentos não vendidos aos necessitados. a iniciativa é feita em parceria com a Feeding america, uma organização sem fins lucrativos e a Food Donation Connection. Este avanço permite que a enorme corporação possa doar todo o alimento perecível e refeições aos bancos de alimentos em todo o país.

França e Itália já legislaram e Portugal parece encaminhar-se no mesmo sentido. Recordamos que a assembleia da República (aR) aprovou a resolução n. º 65/2015 com vista a combater o desperdício alimentar para promover uma gestão eficiente dos alimentos, com 15 recomendações ao governo e declarando o ano de 2016 como o ano nacional do combate ao desperdício alimentar.
O partido Pessoas-animais-Natureza (PaN) apresentou na aR, com data de 13 de Maio de 2016, o projeto de Lei n. º 266/XIII/1a que estabelece o regime legal aplicável à doação de géneros alimentares, para fins de solidariedade social, por forma a combater a fome e o desperdício alimentar em Portugal.
O PaN pretende alargar os benefícios fiscais para as empresas, especialmente a nível de IRC, de molde a combater o desperdício alimentar e desta forma mitigar mais eficazmente a fome que atinge a nossa sociedade. Segundo parece já outros partidos se mostraram interessados na elaboração de uma lei para o combate contra a fome. Tudo indica que teremos legislação em breve.

a fome continua a ser uma das chagas que atinge a humanidade, mesmo nos países desenvolvidos. E isso acontece por muitos motivos, sendo que o desperdício será porventura uma das formas mais visíveis, mas também de combate mais eficaz, assim os Governos o assumam. Só para termos uma ideia da gravidade que constitui o desperdício, nos Estados Unidos metade de toda a comida produzida é atirada para o lixo. Simplesmente inaudito.
Em Portugal os sucessivos Governos não atacaram o problema e têm sido as IPSS, as ONG e as instituições civis e da Igreja que apoiam os mais desfavorecidos. O Estado tem tido um papel bastante omisso e de alguma falta de sensibilidade, para não dizer de irresponsabilidade perante o problema. Façamos votos para que estas iniciativas ajudem a criar maior sensibilidade política nos governantes e seja possível atenuar a desdita daqueles não têm um mínimo para subsistir.