Por causa do amor que construíram, Celso e Gina vivem este tempo como um tempo de bênção e, agradecidos, sentem a sua vida como um presente que sabiamente aprenderam a descobrir
Por causa do amor que construíram, Celso e Gina vivem este tempo como um tempo de bênção e, agradecidos, sentem a sua vida como um presente que sabiamente aprenderam a descobrirGina e Celso folheavam demoradamente o álbum de casamento à procura da melhor foto para incluir no convite das bodas de ouro. a viagem ao passado era sempre motivo de boa disposição:- alguma vez imaginaste que estaríamos a fazer esta festa juntos 50 anos depois?- Tinha a certeza! Não perdia isto nem por nada! – Também não tenho melhor programa! Olha para este nosso arzinho sonhador: tanta coisa que queríamos e que não sabíamos!- Lá sonho nunca nos faltou. O mais engraçado é que acabámos por não ligar a grande parte daquilo que dizíamos que tinha de ser. – Pois não. Seria tão pouco, se assim fosse. aventurámo-nos a outros sonhos, bem maiores!- achas que valeu a pena? Casarias comigo outra vez?- Contigo? Nem pensar! Depois de ver esta noiva linda aqui nestas fotos?! Só tenho olhos para ela, tem paciência!E a conversa prolongou-se entre risos, trocadilhos e recordações do dia em que ambos se comprometeram a cuidar um do outro e a construírem em conjunto a felicidade de ambos. – Sabes do que sinto falta nestas fotos? – Será dos miúdos?- Como adivinhaste? Nem dá jeito imaginar a vida sem eles. Temos motivos para estar felizes, não temos? Fizemos um bom trabalho!- Pelo menos eu! De ti não falo para não ficares vaidoso – gracejou Gina. Às vezes até me parece um sonho perceber o poder que existia em nós: como pudemos ser criadores de tanto?! Primeiro conseguiste descobrir-me: o mais importante – continuava Gina na sua boa disposição – depois, unimos duas famílias, e depois então aí, continuo a sentir que fizemos um milagre: fomos criadores de duas pessoas, e maravilhosas. Por causa delas, temos netos, e no meio disto tudo, quantos amigos. Fazendo o balanço, até podemos dizer que demos um bom contributo à História!- Estás a dizer que fizeste bem em apostar em mim. Concordo! – acrescentou Celso acariciando a esposa. – Não exageres! Sabes, já nem me apetece usar a foto do casamento no convite. acho que agora somos bem mais bonitos, mais preenchidos – de rugas também, claro, mas isso é que dá toque de sabedoria! Que te parece de termos uma foto de dois vaidosões que depois de 50 anos juntos estão desejosos de outros tantos?- Olha que até é boa ideia… mas só se me prometeres que no dia das bodas, aquela miúda, a noiva da foto, me acompanha no altar. as filhas, os genros e os netos foram chegando para o jantar de sábado em família. a mesa estava posta e os aromas vindos da cozinha combinavam com uma música conhecida de todos, tocada numa festa há 50 anos atrás. Gina e Celso, ainda de álbum aberto, riam com o humor que inventavam e a que se habituaram. Os olhos falavam de felicidade e espelhavam aquilo que os sustentara nos momentos difíceis e os empolgara nos tempos de desafios – o amor. Fizeram-no crescer e tornara-se num monumento enorme, consolidado pelo tempo e projetado para fora da fronteira dos dois. Por causa do amor que construíram, Celso e Gina vivem este tempo como um tempo de bênção e, agradecidos, sentem a sua vida como um presente que sabiamente aprenderam a descobrir, a cuidar, a saborear e a partilhar!