O fenómeno das migrações em massa que despejaram nas nossas ruas e nas nossas vidas pessoas de credos e culturas diferentes cruzou-se contemporaneamente com o progressivo envelhecimento da Igreja
O fenómeno das migrações em massa que despejaram nas nossas ruas e nas nossas vidas pessoas de credos e culturas diferentes cruzou-se contemporaneamente com o progressivo envelhecimento da Igrejaas duas visitas do Papa Francisco a Lampedusa e, mais recentemente, à ilha de Lesbos, contribuíram, através do forte poder das imagens, para nos transmitir a ideia de que a missão na Europa está a mudar. Basta olhar à nossa volta e observar os rostos e os contextos, para nos apercebermos que de facto a missão já modificou a sua fisionomia e que esta transformação exige hoje respostas diferentes daquelas a que a Igreja estava habituada a dar no passado. O fenómeno das migrações em massa que despejaram nas nossas ruas e nas nossas vidas pessoas de credos e culturas diferentes cruzou-se contemporaneamente com o progressivo envelhecimento da Igreja, estéril e incapaz de envolver as novas gerações no entusiasmo pelo Evangelho e no encontro com a complexa realidade secularizada e descristianizada de grande parte da Europa. a mudança de época interpela antes de mais a Igreja local, e dentro dela os institutos missionários que são chamados a apresentar respostas adequadas e competentes, colocando à disposição o seu carisma específico com determinação e originalidade. Precisamos, hoje, de um projeto missionário para a Europa que aponte objetivos e âmbitos específicos nos quais a missão seja claramente definida, e clarifique as opções em todos os campos da vida religiosa e missionária. O momento crítico deste tempo pode tornar-se uma condição de possibilidades nas quais, perante a tentação de levantar muros e barreiras, tão radicada aliás na mentalidade de muita gente, possa contrapor o modelo das comunidades-ponte, interculturais, como sinal de fraternidade universal. O primeiro passo nessa direção é criar uma maior consciência da identidade, indo à essência do carisma e confrontando-o com as novas realidades do continente. Se somos missionários, somo-lo em toda parte, mesmo aqui na Europa; o carisma não é ser missionário só para a África ou para a américa Latina, mas para aqueles que não são cristãos.como missionários, chamados a levar o primeiro anúncio do Evangelho, sentimos a necessidade de ir ao encontro dos povos em que esta Boa Nova não é conhecida; hoje, isso vale também para o continente europeu. Se este é o critério básico, fica por aprofundar em que âmbitos e com que estilo somos chamados a ser missionários na Europa de hoje. Os jovens, os pobres e os marginalizados, o complexo mundo dos média, onde fazer ecoar a Boa Nova, são contextos que sempre nos empenharam na atividade evangelizadora e com os quais devemos hoje continuar a confrontar-nos. ao fazê-lo, é necessário que o missionário se caracterize e se distinga por escolhas de campo bem definidas, que não desnaturem nem desvirtuem o seu carisma original, uniformizando-o com outras forças eclesiais. Hoje, a presença na Europa, tradicionalmente dedicada à animação missionária e vocacional e à formação dos futuros missionários, exige que se encontrem novas maneiras de lidar com uma situação diferente, e em constante mutação. O projeto missionário deveria, portanto, sugerir um programa de formação que ajude os jovens missionários, muitas vezes provenientes de outros continentes, a compreender a realidade difícil da Europa e a adaptar-se às novas exigências da missão. Por sua vez, também os missionários mais ricos de experiência poderão beneficiar deste projeto, para colocar o seu conhecimento espiritual e humano adquirido em outros países à disposição da missão no continente europeu.