O Papa, na visita aos campos de concentração construídos na II Guerra Mundial pelos nazis, na Polónia, escolheu uma nova forma de se expressar: o silêncio. apenas deixou escrito: «Senhor tem piedade do teu povo, perdoa tanta crueldade»
O Papa, na visita aos campos de concentração construídos na II Guerra Mundial pelos nazis, na Polónia, escolheu uma nova forma de se expressar: o silêncio. apenas deixou escrito: «Senhor tem piedade do teu povo, perdoa tanta crueldade»Francisco está de visita à Polónia para participar nas Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), evento de grande fervor dos jovens católicos de todo o Mundo e durante o qual fazem a sua entrega de uma forma ímpar. a propósito disso, o Papa, ainda no avião a caminho de Cracóvia, agradeceu o trabalho nesta Jornada da Juventude dizendo: a juventude sempre nos fala de esperança. Esperemos que os jovens nos digam algo que nos dê um pouco mais de esperança neste momento. Estas palavras foram antecedidas da abordagem de alguns assuntos da atualidade, a pedido do Padre Lombardi, director da sala de imprensa da Santa Sé, a propósito dos últimos acontecimentos mundiais e o contexto com os jovens.

Francisco disse: Uma palavra que se repete tanto é insegurança. Mas a verdadeira palavra é guerra. Há tempos dizemos que o mundo está em guerra em partes. Esta é a guerra. Houve aquela de 1914 com os seus métodos; depois a de 39 a 45; uma outra grande guerra no mundo, e agora existe esta. Não é tão orgânica, talvez; organizada, sim, mas orgânica, digo; mas é guerra. Este santo sacerdote (o padre francês Jacques Hamel de 86 anos) que morreu precisamente no momento em que fazia a oração por toda a Igreja, é um; mas quantos cristãos, quantos inocentes, quantas crianças Pensemos na Nigéria, por exemplo: Mas, lá é a África!. Esta é a guerra! Não tenhamos medo de dizer esta verdade: o mundo está em guerra, porque perdeu a paz.
No final, o Santo Padre fez questão de esclarecer que esta não é guerra de religiões: Uma só palavra gostaria de dizer para esclarecer. Quando eu falo de guerra, falo de guerra seriamente, não de guerra de religiões: não. Existe guerra de interesses, existe guerra pelo dinheiro, existe guerra pelos recursos da natureza, existe guerra pelo domínio dos povos: esta é a guerra. alguém pode pensar: Está falando de guerra de religiões. Não! Todas as religiões, queremos a paz. a guerra, a querem os outros. Entendido?.

a propósito da simbólica visita de Francisco aos campos de auschwitz, o director de programas da Rádio Vaticano, publicou uma nota em relação ao silêncio do Papa, como forma de expressão orante perante os acontecimentos ocorridos naquele lugar. O Padre andrzej Majewski, sacerdote jesuíta polaco recordou que o Papa falou com o silêncio. Mas o silêncio, para ser compreendido, requer tempo. Por isso, esta manhã, o Papa dedicou muito tempo à sua primeira visita a esses lugares. Fê-lo para ultrapassar lentamente e sozinho o portão, com a famosa inscrição que diz: arbeit macht frei, o trabalho torna-te livre. Em seguida, para parar na praça do apelo, isto é, no lugar onde, no verão e no inverno, centenas de prisioneiros eram mantidos em silêncio durante horas.
O Papa dedicou tempo também para saudar um grupo de sobreviventes de auschwitz, um por um: entre eles, também uma senhora de 101 anos. Depois deixou uma tocha de fogo diante do muro, onde foram fuziladas milhares de pessoas. Finalmente o Papa Francisco, sempre em silêncio, deteve-se por muito tempo na cela onde morreu São Maximiliano Kolbe. Excelente exemplo descritivo de uma das visitas, certamente mais sentidas, do Pontífice ao lugar que nos recorda o holocausto judeu.

as Jornadas Mundiais da Juventude, que decorrem em Cracóvia terminam hoje, ficam marcadas por se realizarem durante os tempos conturbados de uma guerra, que na verdade nada tem a ver com as religiões, como referiu Francisco. Pelo contrário, as religiões promovem e querem a paz, independentemente da sua orientação. É a oração, a paz e a solidariedade que une a juventude presente no evento, o que levou o Papa a dizer que espera que os jovens nos digam algo que nos dê um pouco mais de esperança neste momento.
Sete mil jovens portugueses estão em Cracóvia, nas JMJ, o que constitui uma das maiores representações. Este evento religioso foi instituído pelo papa João Paulo II, há 30 anos, e acontece de dois em dois anos. Estamos certos de que grande parte dos jovens presentes nas JMJ vão regressar a suas casas mais fortalecidos e motivados na fé, e não deixarão de dar testemunho perante a sociedade. Será esse o desejo do Papa e de todos que pretendem a paz num mundo melhor.