Para a Rede Europeia anti-Pobreza, as sanções a Portugal e Espanha podem criar «mais pobreza». a organização refere que a Europa deveria dar prioridade à luta contra a pobreza e a exclusão social
Para a Rede Europeia anti-Pobreza, as sanções a Portugal e Espanha podem criar «mais pobreza». a organização refere que a Europa deveria dar prioridade à luta contra a pobreza e a exclusão social a aplicação de sanções a Portugal e Espanha, por parte da União Europeia (UE), poderá atrasar a recuperação económica, originar mais pobreza e um maior descontentamento em relação à UE, alerta a Rede Europeia anti-Pobreza (EaPN), em comunicado. Nenhuma destas consequências é desejável na atual situação económica e política, sendo contraproducente a aplicação de eventuais sanções e multas, considera a organização.
No documento, agostinho Jardim Moreira, sacerdote e presidente da EaPN Portugal, aponta que a UE se converteu numa instituição distante e irrelevante para milhões de europeus, que parece ter pouco ou nenhum impacto positivo nas suas vidas. Se a UE pretende sobreviver e desenvolver-se, isto terá de mudar, frisa.
Para o religioso, uma Europa que não tem em consideração os fatores externos que levaram à atual situação, que não respeita a capacidade de cada Estado-membro e as suas circunstâncias, e que, ao invés de solidariedade, promove a pobreza, é uma Europa que está muito distante dos seus fundamentos originais.
Jardim Moreira refere ainda que aplicar mais medidas de austeridade a Portugal e Espanha não é social nem politicamente viável. O sacerdote defende que Portugal precisa é de mais crescimento inclusivo, para cumprir o défice público, e não de mais receitas através do aumento da pressão fiscal indireta ou da redução nos investimentos sociais.
O presidente da EaPN Portugal escreve que a UE deveria dar prioridade à luta contra a pobreza e a exclusão social, em consonância com o objetivo da Estratégia Europa 2020. No passado dia 12 de julho, o Conselho Europeu considerou que Portugal e Espanha não tomaram as medidas necessárias para responder às recomendações para corrigir o défice excessivo.