Robert tem um carinho especial por João Paulo II, tanto pelo contributo para a democracia na Polónia como pelo episódio da cura do alcoolismo, mas não esconde o entusiasmo por ter Francisco a visitar Cracóvia
Robert tem um carinho especial por João Paulo II, tanto pelo contributo para a democracia na Polónia como pelo episódio da cura do alcoolismo, mas não esconde o entusiasmo por ter Francisco a visitar CracóviaÉ o padre Michal Kania que conduz o grupo de jornalistas até à casa dos Wolski, uma vivenda com dois andares mais um sótão. Por estes dias que antecedem a Jornada Mundial da Juventude em Cracóvia, a família ganhou popularidade porque se ofereceu para receber 300 dos muitos milhares de peregrinos que querem ver o Papa Francisco em finais de julho. E o segredo do acolhimento são os jardins da casa, meio hectare onde o exército se disponibilizou para montar 30 tendas de campanha, cada uma com espaço para dormirem dez pessoas. Mas alguns vão ficar na própria casa com a família, sublinha o padre Kania, de 30 anos, um dos sacerdotes de Bolechowice, uma aldeia a meia hora de carro de Cracóvia e refúgio de gente desafogada, que quer viver no recato do campo. Não admira, pois, que muitos dos moradores sejam hoje médicos, professores ou quadros. agricultores já são poucos. Em comum, entre antigos e novos aldeãos, o profundo catolicismo, como aliás é regra no povo polaco, o mesmo de Karol Wojtyla, nome de batismo de João Paulo II, que nasceu perto, em Wadowice, e foi cardeal de Cracóvia. Robert Wolski, de 41 anos, dá as boas vindas em polaco. É preciso tradução. Questionado sobre quanta coragem é preciso para acolher três centenas de pessoas, que deverão vir da alemanha e da Áustria, sorri e limita-se a dizer que com boa vontade, muito esforço e a ajuda de Deus conseguimos tudo. ao lado, está já a mulher, Malgorzata, de 40 anos, e a filha Karolina, de 14. a jovem fala um pouco de inglês e está a aprender alemão, o que ajudará quando chegarem os peregrinos. Entretanto chega o filho do casal, Jakob, de 19 anos. Vem de fato e gravata porque houve um casamento e serviu de motorista dos noivos. O padre Kania explica que Jakob é também o fotógrafo da paróquia. O rapaz ri-se. Os jornalistas pedem para a família Wolski posar para uma foto. Robert vai buscar um painel com o logotipo da Jornada Mundial da Juventude. E o padre Kania é convidado a juntar-se. Sorrisos. E quanto à paciência dos vizinhos, quando as tendas acolherem tanta gente? Não há problema, assegura Robert, antigo bombeiro e hoje empreiteiro. De um lado são primos, do outro lado são pessoas muito boas, acrescenta Malgorzata. O casal parece entender-se bem. Somos casados há 20 anos mas conhecemo-nos desde crianças. andámos juntos na escola, explica Robert, que tem a agradecer à mulher o apoio que lhe deu num momento difícil, quando estava a deixar-se dominar pelo alcoolismo. O tema parece demasiado pessoal, mas Robert faz questão de contar a sua história. Sente orgulho por ter vencido a batalha: Foi em 2005 que tomei a decisão de nunca mais beber álcool. associa a sua súbita decisão de retomar a vida ao conhecimento que teve do sofrimento de João Paulo II nos últimos meses de vida. E agradece a quem tem de ser em nome da família, que voltou a ser próspera, unida e admirada, como salienta o padre Kania. Robert tem um carinho especial por João Paulo II, tanto pelo contributo para a democracia na Polónia como pelo episódio da cura do alcoolismo, mas não esconde o entusiasmo por ter Francisco a visitar Cracóvia. Francisco é latino e João Paulo II era eslavo, mas não acho que sejam assim tão diferentes. ambos insistem na Misericórdia, comenta o antigo bombeiro. Faltam poucas semanas para a Jornada e a família Wolski sabe que vai ter muito trabalho pela frente. Graças à experiência como empresário da construção, Robert arranjou quem tratasse da alimentação, com Malgorzata a supervisionar a cozinha de campanha que será montada nos jardins. Também estão garantidas as casas de banho móveis e pelo menos duas zonas de duche. Toda a gente quer ajudar. Sem receber nada, explica o padre Kania, que revela que outros paroquianos vão também receber peregrinos. E há até o caso de uma senhora da aldeia que mesmo recebendo só uma pessoa se está a tornar uma celebridade. É que o hóspede será o francês Olivier de Germay, bispo de ajaccio, na Córsega, explica o padre Kania.