O futebol «tomou conta» de milhões de portugueses durante mais de um mês. O Europeu de futebol, em França, foi pretexto para muito do que aconteceu durante e após Portugal ter vencido a França e se sagrar campeão europeu de futebol sénior
O futebol «tomou conta» de milhões de portugueses durante mais de um mês. O Europeu de futebol, em França, foi pretexto para muito do que aconteceu durante e após Portugal ter vencido a França e se sagrar campeão europeu de futebol séniorQuer se goste ou não, o futebol é um desporto a nível mundial que envolve milhões de simpatizantes. São pouquíssimos os países que não têm estruturas desportivas adequadas desta modalidade. Milhares de clubes em todo o planeta têm praticantes a todos os níveis, desde escolas de futebol até aos seniores (mais velhos). Se é verdade que o futebol profissional se tornou numa indústria que movimenta grandes interesses, dado as receitas que gera, não o é menos a mística dos adeptos que são o cerne do seu desenvolvimento.
Paris recebeu centenas de milhares de visitantes dos países europeus durante o campeonato. Foi uma festa dos diversos países participantes, mas também de muitas centenas de milhares de pessoas que seguiram através dos meios de comunicação social em todo mundo, especialmente a televisão.

Pela primeira vez coube a Portugal o título de campeão europeu, em jogo disputado a 10 de Julho contra a equipa francesa, em Paris, com uma presença massiva de espectadores, mas também de personalidades, especialmente governantes de ambos os países. Finda a partida da final e após a entrega das medalhas a vencidos e vencedores, foi a festa dos portugueses em pleno relvado do Estádio de França.como é habitual, seguiu-se uma conferência de imprensa onde o seleccionador nacional FernandoSantos leu uma declaração escrita que surpreendeu tudo e todos. Vamos citar algumas passagens que consideramos mais importantes. Em primeiro lugar e acima de tudo, quero agradecer a Deus Pai por este momento e tudo aquilo da minha vida. Depois enumerou outros agradecimentos, tendo terminado desta forma: Por último, mas em primeiro, ir falar com o meu maior amigo e sua mãe. Dedicar-Lhe esta conquista e agradecer-Lhe por ter sido convocado e por me conceder o dom da sabedoria, perseverança e humildade para guiar esta equipa e Ele a ter iluminado e guiado. Espero e desejo que seja para glória do seu Nome.

No final de um evento tão importante de futebol a nível europeu dos tempos modernos, pensamos que teria sido a primeira vez que um responsável de uma selecção de um país ganhador deixou expresso, sem qualquer dúvida, o seu testemunho de fé em Deus e na Virgem. Foi o cristão Fernando Santos, mas também o seleccionador, que o exprimiu sem reservas ou vergonha, agradecendo a protecção divina, segundo a sua interpretação. Pura e simplesmente assumiu a sua fé.
O regresso da comitiva da selecção nacional ocorreu no dia seguinte e o país fez festa na sua recepção, algo nunca visto, mas perfeitamente natural dado o feito e o desejo do povo português em agradecer aos protagonistas esta vitória importante. Parece que Portugal precisava de algo que o motivasse, dado que a tristeza da precaridade do dia-a-dia é demasiado pesada. Isso não é de espantar, pois sabemos qual o poder que o futebol exerce nas pessoas.

O poder atractivo do futebol é praticamente global. Foi agradável ver os emigrantes portugueses, em todo o mundo, juntarem-se e fazerem a festa. Especialmente em França, mas também nos países de língua portuguesa e em cada canto onde estavam lusitanos. O futebol une as pessoas, assim como as separa por motivos fúteis, e é nestas ocasiões que um país como este pequeno Portugal passa da tristeza à euforia, isto graças ao futebol. O presidente da República que recebeu a comitiva em Belém, acompanhado por personalidades do Governo e outras, agraciou a mesma com a Ordem de Mérito, algo que nunca havia acontecido.

Havendo tantos assuntos importantes que poderia tratar neste espaço, porque optei por dar relevo ao futebol? Simples! Para além de considerar que o futebol pode unir as pessoas, neste caso também entendo que Fernando Santos, seleccionador da equipa de Portugal – que desta vez fez história – tomou uma atitude digna de realce. Há cristãos que têm vergonha de assumir a sua fé publicamente, ou mesmo em particular. O seleccionador português fê-lo de uma forma natural durante um evento coberto pela imprensa mundial, o que nos deve fazer reflectir.
Fernando Santos já foi alvo de críticas por haver tomado esta posição, mas a verdade é que pediu e acreditou. a recompensa foi a vitória da equipa de todos nós. Que esta realidade possa servir de exemplo para os portugueses descrentes e possa reflectir-se noutras situações.