a menos de um mês do Natal, a cidade da natividade de Jesus olha para a festa, que devia ser a sua, com grande apreensão.
a menos de um mês do Natal, a cidade da natividade de Jesus olha para a festa, que devia ser a sua, com grande apreensão. Uma cidade inteiramente orientada para o turismo religioso, que todo o ano era uma atracção, que estava sempre na rota dos peregrinos da Terra Santa, mas que no Natal era o centro de todas as atenções, vê-se agora cortada fora do circuito.
Belém é hoje uma cidade desolada, isolada, cercada e votada ao declí­nio. Nos anos passados partilhou mais ou menos a mesma sorte dos outros pontos do percurso dos peregrinos: era a intifada que mantinha longe os visitantes da Terra Santa, já então com algum agravamento para Belém, onde houve distúrbios graves e também porque ali o controle era feito pelos militares, sempre de mão pesada, e não pela polícia de Israel.
a diferença vê-se agora: enquanto em Jerusalém os grupos de peregrinos já se atropelam nas ruas devido ao aumento vertiginoso destes últimos meses, Belém está vazia e cada vez conta menos com um melhoramento.
Todas as pessoas com quem falei – taxistas, comerciantes, hoteleiros, chefes de mesa, responsáveis de comunidades religiosas – são unânimes na avaliação. Os peregrinos que ali chegam fazem uma rápida visita e desaparecem. E só lá vão os grupos que dispõem de transporte organizado.comitivas que faziam ali a sua base e dela se deslocavam aos outros lugares, como se continua a fazer de Jerusalém e de Nazaré, são cada vez menos. as pessoas para quem Belém era a meta aprazí­vel e fácil para uma saída, uma volta, uma refeição ou para as compras, essas já não vêm. Hotéis, restaurantes e lojas estão às moscas.
Todos são unânimes em apontar a causa e ela está bem à vista. é o descomunal muro de separação, esta ameaçadora barreira de cimento de 8 metros de altura. Empurrado mesmo para cima de Belém, com umas voltas caprichosas para fazer ficar do lado de Israel o túmulo de Raquel – um santuário muito querido e muito visitado pelos judeus – o muro separa efectivamente Belém. Quem quer passar de um lado para o outro com transporte próprio, arma-se de paciência para os tempos de espera, entra na pista tortuosa que leva ao controle e avança. Quem vem de Jerusalém com os meios públicos tem uma tarefa bem mais complicada e também mais dispendiosa. O autocarro termina o seu percurso a uns cem metros do posto de controlo. Do outro lado, para prosseguir a viagem, não encontra outro autocarro. Terá que negociar o melhor preço com uma roda de taxistas que lhe oferecem os seus serviços. E à volta, depois de outra viagem de táxi e do controle, tem um percurso ainda mais longo a pé, até à paragem do autocarro. Chuva ou sol, a coxear ou doente, com bagagem ou sem ela, não há abrigo, não há contemplação. O que dantes constituí­a um agradável passeio tornou-se uma aventura que ninguém repete a não ser por necessidade.
Há nas queixas dos residentes de Belém um tom de amargura e frustração. apontam o dedo ao mundo ocidental que olha para o lado enquanto Israel age com toda a impunidade. Lamentam a fria indiferença, citam nomes de figuras conhecidas e perguntam porque é que não levantam a voz em defesa de um lugar que quer pela história quer pelo seu valor de símbolo merecia bem outro tratamento.
De Jerusalém

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