a venda de objectos religiosos em Fátima tem vindo a sofrer uma evolução na variedade, qualidade e quantidade. Hoje o número de lojistas é superior a seiscentos estabelecimentos. Longe vão os tempos dos santinhos (estampas), terços e medalhas
a venda de objectos religiosos em Fátima tem vindo a sofrer uma evolução na variedade, qualidade e quantidade. Hoje o número de lojistas é superior a seiscentos estabelecimentos. Longe vão os tempos dos santinhos (estampas), terços e medalhas a notícia de um novo produto religioso, da gama de recordações, surgiu a semana passada (dia 30) veiculado pelo Jornal de Notícias e outras publicações, e deu azo a bastantes comentários nas redes sociais. O produto, uma lata com ar de Fátima, apresentado pelo empresário Sergy Pankovets, de 34 anos, tem tanto de novidade, como de ilusório, para não dizer fraudulento. O primeiro problema que se deve aferir é da sua credibilidade.como é possível, tecnicamente, fechar hermeticamente o ar numa lata? Como irá o empresário certificar o produto, se a tal for obrigado? E mais não avançamos, pois entendemos que deve ser um caso de averiguação das autoridades.
O empresário pretende ainda comercializar as citadas latas com outros ares. E citamos as suas afirmações: Queremos as nossas latas espalhadas pelo país inteiro. Tendo referido especificamente o ar do estádio da Luz, da Batalha, do Porto, da ilha da Madeira e do algarve.
Segundo parece, a ideia surgiu em Moscovo, na Rússia. Sergey diz a um diário do nosso país que está a ter muito sucesso em Portugal, sobretudo junto dos turistas asiáticos e sul-americanos. O ucraniano garante que a lembrança tem uma validade de 99 anos; que se trata de um produto feito à mão e de uma experiência sensorial única. Não nos parece que os argumentos sejam convincentes. a lata, com pouco mais de meio palmo de comprimento, vem embrulhada em papel celofane transparente; está à venda em algumas lojas de recordações e artigos turísticos e custa três euros a unidade.
Os responsáveis do Santuário de Fátima convidados a pronunciarem-se sobre a comercialização do ar abençoado de Fátima, numa lata, com imagens do santuário e da Virgem Maria, recusaram tecer comentários mas salientam que nada têm a ver com o negócio e que se demarcam dele em toda a linha. a afirmação é escassa, mas suficientemente elucidativa.
a venda de objectos religiosos, tipo recordações, é feita em quase todo o Mundo, como por exemplo em Jerusalém e Roma, assim como em santuários marianos diversos espalhados pelo globo, com uma notoriedade evidente para Lourdes e Fátima. após as aparições de Nossa Senhora em 1917 começaram a surgir os santinhos de papel (estampas), assim como terços e depois medalhas.com o evoluir dos tempos foram aparecendo no mercado muitos produtos, especialmente imagens da Virgem e muitos outros alusivos a Fátima.
Como é evidente, também se montaram fábricas, pequenas no caso de Portugal, assim como em outros países (estas já mais importantes) especialmente em Itália, França, alemanha e Espanha. Na última década já a China entrou na competição, com produtos bastante mais baratos, embora de qualidade inferior. apesar disso, rapidamente se adaptaram e hoje já podemos comprar produtos provindos da China com qualidade também.
Mas vamos debruçar-nos um pouco sobre a venda dos artigos religiosos em Fátima. Sendo uma venda livre, não tem regulamentação adequada quer no que respeita a espaços (a Câmara atribui licenças a quem as solicitar) quer no concernente ao religioso, dado que a Igreja não se pronuncia. Qualquer destas posições poderão não ser as mais correctas, em nosso entender, claro, mas passamos a explicar o nosso pensamento.
Em relação à Câmara, em conjunto com a sociedade civil e empresários (e porque não o próprio Santuário), deveria equacionar a concessão de licenças, pois verificamos que o maior comércio da cidade reside nos artigos religiosos, logo com crise, ou sem ela, as vendas poderão ser insuficientes para cobrir despesas e gerar lucros saudáveis. Por outro lado não nos pareceria descabido que o Santuário, ou outra entidade religiosa, adoptasse uma postura informativa, aconselhando ou não, alguns produtos que são vendidos abusivamente como religiosos. Este da lata de ar de Fátima é um bom exemplo.
Quando nos aproximamos a passos largos do centenário das aparições de Fátima, e verificamos a ênfase que as entidades civis, autárquicas e governativas, estão a dar ao turismo em Fátima, seria bom que a aposta fosse mais credível. Caberá à autarquia, mas também ao Governo, criar condições adequadas para receber os peregrinos que rumam a Fátima. E há tanto para fazer nesta cidade.
as vias, para peregrinos, estão uma lástima em qualquer dos acessos a Fátima; não há espaços de lazer na cidade; não existe um único wc público; não há parques para estacionar ou de campismo. E podíamos continuar por aí adiante, pois são as carências de uma cidade normal que não estão satisfeitas.
Fátima, com o número de visitantes que tem, já merecia um tratamento mais eficaz e condizente com a importância que representa para o país. Infelizmente as boas intenções não chegam; é preciso organizar e fazer. Esperemos que o centenário desperte os responsáveis.