O Reino Unido é notícia desde quinta-feira passada em todo o Mundo. O resultado popular da consulta ao país, no sentido de se manter ou sair da União Europeia, ditou um «saímos» por parte do povo
O Reino Unido é notícia desde quinta-feira passada em todo o Mundo. O resultado popular da consulta ao país, no sentido de se manter ou sair da União Europeia, ditou um «saímos» por parte do povoDavid Cameron prometeu em campanha eleitoral, há dois anos, que faria um referendo à continuidade do Reino Unido na União Europeia (UE) caso fosse eleito primeiro-ministro. assim aconteceu e os resultados parecem assustadores, dadas as reacções de todos os quadrantes europeus e mundiais.
Tendo em conta que, quando os países europeus aderiram à UE não fizeram qualquer consulta aos seus povos – quase todos inclusive Portugal – a primeira lição que deveremos tirar é que os políticos não devem tomar compromissos nas costas do povo. Um dia ele, com ou sem razão, revolta-se. Foi o que aconteceu. Esperemos que os políticos portugueses não esqueçam esta lição.
a CEE, Comunidade Económica Europeia, foi precedida pela Comunidade Europeia do Carvão e do aço (CECa), a primeira organização supranacional no âmbito europeu que se concretizou e que, mais tarde, culminou com a origem da integração europeia.
Foi constituída em período de recursos escassos e colapso económico da Europa e tinha como meta um futuro desenvolvimento industrial do carvão e minérios, estabelecendo a livre circulação de carvão, ferro e aço entre os países-membros.com o decorrer dos anos esta instituição foi aperfeiçoando objectivos, atingindo a livre circulação de pessoas e bens entre todos os seus membros. Uma conquista espectacular.
Foram seis os países fundadores, os países do Benelux a que se juntaram a alemanha Ocidental, França e Itália. ao longo dos anos foram aderindo a esta comunidade diversos países, sendo actualmente composta por 28 membros. Os seus inspiradores (CECa) foram Robert Schumann, ministro francês dos Negócios Estrangeiros, e Jean Monnet, o seu primeiro presidente.
as condições de saída de um Estado-membro foram estabelecidas no Tratado de Lisboa, art. º 50, que vai ser utilizado pela primeira vez pelo Reino Unido para cumprir o mandato emanado do referendo. Muitos vaticinam já o fim de um bloco criado no rescaldo da II Guerra Mundial para fomentar a paz e a cooperação entre as nações do continente europeu, depois de séculos de conflitos.
Com todos os seus defeitos e virtudes, veja-se a claudicação da UE perante a crise dos refugiados, a verdade é que esta instituição produziu muitos benefícios para os seus membros, certamente que a uns mais que outros, mas isso já é usual.
Graças aos meios provindos deste organismo foi possível a alguns países desenvolverem a sua economia e criar maior bem-estar. Só para avaliarmos o quão importante foi a UE para Portugal bastará referir que o nosso país recebeu grosso modo nove milhões por dia durante 25 anos, verbas que foram principalmente para estradas, formação profissional e abatimento de embarcações de pesca. São números que esmagam. Só não sabemos é se estes valores foram geridos adequadamente pelos Governos que os receberam e distribuíram.
a pergunta que sobra é: como vai a União Europeia gerir a saída do Reino Unido? Pelas declarações do seu presidente Jean-Claude Juncker, em entrevista ao canal de televisão alemão aRD não é um divórcio amigável, mas depois de tudo (o que aconteceu) também já não era uma relação muito romântica. E precisou: Não percebo por que razão o governo britânico precisa de esperar até Outubro (data fixada por David Cameron para deixar a liderança do governo) para decidir se envia ou não a Bruxelas a carta a pedir o divórcio. Eu gostaria de a ter imediatamente, insistiu.
Estou seguro de que estes Estados vão enviar a mensagem de que não deixarão ninguém tirar-lhes a sua Europa, este projeto de paz e de estabilidade, afirmou Frank-Walter Steinmeier, ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, momentos antes da reunião dos seis países fundadores da União Europeia que estão em Berlim para analisar o pós-brexit.
a saída prevista dos britânicos da UE poderá trazer consequências políticas, mas sobretudo económicas, ao bloco dos restantes 27, mas também a Inglaterra. Isso por uma má avaliação da medida tomada de referendar a saída.
Portugal poderá ser um dos países atingidos, dado a receita com que os ingleses contribuem para o turismo português. Vamos aguardar a evolução das negociações entre o Reino Unido e a União Europeia. Interesses à parte, vai ser necessário bom senso das partes para encontrar um equilíbrio que interesse a ambos.
Esta saída do Reino Unido da UE é ainda um aviso para os políticos instalados em Bruxelas, mesmo que colocados pelos Governos, dado que o seu procedimento por vezes é desmedido, dando a impressão de que são eles a governar os países, quando não passam de funcionários, embora muito bem pagos.