a situação de crise que se tem vivido em Portugal nos últimos anos fez aumentar os crimes de violência financeira contra idosos. Os agressores são, por norma, os filhos e netos das vítimas
a situação de crise que se tem vivido em Portugal nos últimos anos fez aumentar os crimes de violência financeira contra idosos. Os agressores são, por norma, os filhos e netos das vítimas a associação Portuguesa de apoio à Vítima (aPaV) apoiou 977 idosos vítimas de crime, em 2015, o que representa um aumento de 125 pedidos de ajuda em relação ao ano anterior. Muitos dos idosos que recorrem à instituição são vítimas dos filhos e dos netos que se apropriam dos seus bens e das suas economias. São muito fáceis de manipular e de exercer poder e controlo sobre eles, o que faz com que sejam vítimas de muita violência financeira, além da violência física e psicológica, disse à agência Lusa o psicólogo Daniel Cotrim, da aPaV, a propósito do Dia Internacional de Sensibilização sobre a Prevenção da Violência Contra as Pessoas Idosas, que se assinala esta quarta-feira, 15 de junho. Segundo o responsável, a violência financeira contra idosos é um crime que tem vindo a aumentar nos últimos anos, com os agressores a ficarem com o rendimento das vítimas, chegando mesmo a retirá-las dos lares onde residente para ficar com o valor da mensalidade e reforçar o rendimento mensal da família. Os dados hoje divulgados revelam que, em 2015, 80,5 por cento das vítimas apoiadas pela aPaV são do sexo feminino e têm uma média de idades de 75 anos. Quase 40 por cento viviam numa família nuclear com filhos, 58,4 por cento eram casadas e 29,5 por cento estavam viúvas.
Numa mensagem para assinalar esta data, Ban Ki-moon, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), pede às autoridades e à sociedade civil para intensificarem os esforços que levem à eliminação de todas as formas de violência e abusos contra os idosos. O responsável destaca que acabar com esta prática é fundamental para atingir os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da agenda 2030.