O caso de uma aluna que esperou sete meses por uns óculos demonstra como a falta de recursos económicos pode perturbar a aprendizagem e manter um ciclo de pobreza, denunciou a investigadora Sónia Mairos Ferreira
O caso de uma aluna que esperou sete meses por uns óculos demonstra como a falta de recursos económicos pode perturbar a aprendizagem e manter um ciclo de pobreza, denunciou a investigadora Sónia Mairos Ferreira a pobreza pode exacerbar as situações de deficiência, perturbação e atraso do desenvolvimento por privar os mais novos de meios essenciais para o seu desenvolvimento, defendeu a investigadora Sónia Mairos Ferreira, na conferência parlamentar Necessidades educativas especiais, deficiência e escolaridade obrigatória – Quais os desafios?, que decorreu esta semana em Lisboa.
Para demonstrar essa ideia, a professora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra deu conta do caso de uma aluna que teve de esperar sete meses para obter uns óculos para uma miopia de quatro dioptrias. Isto significa que a aprendizagem da leitura, da escrita, do cálculo e as outras aprendizagens ficaram severamente comprometidas pelo facto de a criança não ter a prótese que lhe iria garantir o acesso à informação nas mesmas condições que os seus pares, alertou, citada pela agência Lusa.
a docente realçou que este é apenas um exemplo mínimo daquelas que são as dificuldades reais que podem fazer com que as questões da aprendizagem sejam dificultadas e limitem o crescimento de crianças e jovens. Fazendo um retrato da pobreza e exclusão social em Portugal, Sónia Ferreira disse que esta atinge cerca de 2. 863. 000 pessoas, enquanto a privação material severa afeta quase 11 por cento da população.