Bela nascera para ser mãe. Dizia que antes de ter filhos já era mãe a sonhar. Quando lhe perguntavam o que queria ser quando crescesse, respondia com convicção: «Vou ser mãe!»
Bela nascera para ser mãe. Dizia que antes de ter filhos já era mãe a sonhar. Quando lhe perguntavam o que queria ser quando crescesse, respondia com convicção: «Vou ser mãe!» Num dia de primavera, Bela foi mesmo mãe. O seu bebé Simão era a tradução sublime de um sonho. Por algum tempo, pensou que não precisaria de nada mais para viver, tão completa que estava.
Simão foi crescendo, preenchendo o mundo encantado da mãe Bela. Desde pequenino percebia-se a sua sensibilidade e um dom especial para a música: em tudo o que produzisse sons, ele via um instrumento para tocar.
Inscreveu-o na academia e aí, deram-lhe razão: o Simão precisava da música e a academia precisava do Simão. Mas tinha custos elevados: havia que adquirir o instrumento musical – e o indicado para o Simão era o violino.
Como poderia comprar um violino? Usando a criatividade habitual, desenhou uma solução: pediria aos senhores ricos da vila que colaborassem. Haveriam de entender a importância de ajudar uma criança a realizar-se. Nunca fizera uma coisa destas, mas se era preciso fazê-lo para ajudar o seu Simão a ser aquilo que o realizava, não havia dúvidas: conseguiria!
Começou pelo senhor mais rico: talvez assim não precisasse de bater a tantas portas.
O Senhor José até a recebeu bem. Mas, quando ouviu o motivo da sua visita, tirou uma moeda do bolso e entregou-lha com uma mensagem:
– Toma, este dinheiro é para lhe comprares um apito e tu teres juízo.
Mãe Bela agradeceu e saiu. a sua coragem esfumou-se – mas por pouco tempo: percorreu as casas das pessoas que ela esperava que pudessem ajudar, juntando a generosidade grande ou pequenina de cada um.
Em muitas portas precisou bater! Mas Simão teve o seu violino.
Os professores tinham razão: Simão e o violino faziam a música ganhar vida própria.
Sempre que Simão tocava, a mãe chorava – chorava agradecida a Deus por tão grandioso presente.
Simão cresceu ainda mais: amado, valorizado, esforçado na dedicação e partilhando um estado de vida agradecido que Bela lhe ensinara.
ainda jovem, Simão foi convidado a integrar a orquestra da cidade.
Passado pouco tempo, já o destacaram para fazer solo nas comemorações do dia da sua vila.
Simão aceitou. Era o seu primeiro solo.
Nesse dia, pediu autorização ao maestro para presentear mãe Bela na sua terra.
antes de tocar a sua peça, anunciou com o peito cheio de orgulho:
– Hoje, dedico este meu primeiro solo à minha Bela mãe, agradecendo-lhe ter batido a muitas casas desta vila para, com as generosidades que lhe ofereceram, me comprar o primeiro violino. É com ele que tenho a honra de tocar hoje nesta orquestra, para a minha mãe e para todos vós.
Mãe Bela não ouvia as palmas nem de Simão nem da plateia. Ouvia apenas o seu coração a galope, acompanhado nas suas batidas pelo som do violino tocado pelo seu menino.
Com a música angelical que se seguiu, uma oração agradecida voou em silêncio, feita de felicidade.