Cada família, cada casal, e até cada pessoa é única e irrepetí­vel, merece respeito, acolhimento, misericórdia, porque acima de tudo está o amor de Deus. «Ninguém pode ser condenado para sempre, porque esta não é a lógica do Evangelho!»
Cada família, cada casal, e até cada pessoa é única e irrepetí­vel, merece respeito, acolhimento, misericórdia, porque acima de tudo está o amor de Deus. «Ninguém pode ser condenado para sempre, porque esta não é a lógica do Evangelho!»Não recordo um texto papal que tenha suscitado tanta expectativa como a exortação apostólica a alegria do amor do Papa Francisco. É um longo documento de nove capítulos, qual deles o mais belo, como fruto da escuta e do discernimento a partir dos debates dos dois últimos sínodos sobre os desafios que enfrentam as famílias nos nossos dias.com o intuito de lançar uma nova luz sobre a beleza da vida familiar. apresentando os desafios que se colocam às famílias deste tempo, Francisco reconhece que não existe um modelo de família ideal e que as dificuldades variam consoante a realidade social e geográfica. a família não é um ideal, mas um trabalho artesanal. Não há famílias perfeitas. Há famílias em construção. O Papa não deixa de advertir a decadência cultural que não promove o amor e a doação. Também no casamento há sintomas da cultura do provisório evidente na rapidez com que as pessoas passam duma relação afetiva para outra. Creem que o amor, como acontece nas redes sociais, se possa conectar ou desconectar ao gosto do consumidor e inclusive bloquear rapidamente. Nesta situação também a Igreja não está isenta de culpas pela pouca capacidade de propor e indicar caminhos de felicidade. Muitos não sentem a mensagem da Igreja sobre o matrimónio e a família como um reflexo claro da pregação e das atitudes de Jesus. Ponto assente é que de maneira alguma a Igreja deve renunciar ao ideal pleno do matrimónio cristão, reflexo da união entre Cristo e a sua Igreja, e que se realiza plenamente na união entre um homem e uma mulher que se dedicam reciprocamente um amor exclusivo e até à morte. Mas Francisco insiste que é necessário valorizar os elementos construtivos daquelas situações que ainda não correspondem ou que já corresponderam à instituição do matrimónio. É por isso que ele fala da lógica da misericórdia pastoral que consiste em acompanhar, discernir e integrar. Cada família, cada casal, e até cada pessoa é única e irrepetível, merece respeito, acolhimento, misericórdia, porque acima de tudo está o amor de Deus. Ninguém pode ser condenado para sempre, porque esta não é a lógica do Evangelho! É por isso que o Papa apela a toda a Igreja para que tenha o olhar de Jesus também sobre as diversas situações ditas irregulares. Um olhar que não condene, mas use de misericórdia. Isto não impede que a Igreja renuncie a propor o ideal pleno do matrimónio, o projeto de Deus em toda a sua grandeza, mas em todas as situações que afetam a família a Igreja tem a missão de anunciar a misericórdia de Deus, coração pulsante do Evangelho, que por meio dela deve chegar ao coração e à mente de cada pessoa. Leia, se puder, o texto completo da exortação do Santo Padre.