Os líderes bósnios estão nos Estados Unidos para celebrar o 10º aniversário do acordo de paz de Dayton, que pôs termo à sangrenta guerra étnica. Mas na sua terra natal não há celebrações oficiais.
Os líderes bósnios estão nos Estados Unidos para celebrar o 10º aniversário do acordo de paz de Dayton, que pôs termo à sangrenta guerra étnica. Mas na sua terra natal não há celebrações oficiais. Estão também agendados encontros para discutir reformas à constituição do país. O acordo a que chegaram os presidentes da Bósnia, da Croácia e da Sérbia depois de três semanas de diálogos em Dayton, foi assinado mais tarde em Paris, terminando a guerra que começou em 1992 e durou mais de três anos.
Cerca de 250 mil pessoas perderam a vida e cerca de dois milhões ficaram sem casa. Não há qualquer cerimónia oficial programada na antiga república jugoslava.
Espera-se que os vários líderes políticos do país continuem a discutir reformas para centralizar a administração nacional, que foi dividida em dois com o acordo de Dayton. a Bósnia-Herzegovina foi dividida em dois mini-estados com grande autonomia, uma parlamento e governo partilhados e uma presidência dividida por três pessoas.
O aniversário de Dayton não é motivo de celebração, disse Gordana Knezevic, uma jornalista da Bósnia que fez a cobertura da guerra para o jornal de Sarajevo Oslobodjenje. Recorda o comentário de um amigo em relação ao acordo: nos próximos anos vamos ver a pacificação das Balcãs ou a balcanização das políticas mundiais.
Dayton salvou vidas e pôs termo à guerra, disse Knezevic, mas também dividiu o país, começando uma guerra fria interna. a Bósniaestá agora num sistema decuidados intensivosapoiado pela comunidade internacional, totalmente incapaz de viver por si própria. Dayton marcou o nascimento do mais complexo estado europeu, um estado extremamente custoso e governado por um labirinto de instituições governamentais.
O acordo oficializou a nova realidade que emergiu da limpeza étnica, disse Knezevic, representando uma derrota para todos os que acreditam em sociedades multiétnicas. O acordo preservou a Bósnia, mas dividida entre a República Sérbia e a federação croata-muçulmana.
a própria comunidade internacional reconhece que o facto do líder sérbio Radovan Karadzic, procurado por crimes contra a humanidade, não ter sido capturado demonstra a tensão e divisão que se continua a viver na região.
Quando perguntaram a Gordana Knezevic se Dayton teve algum sucesso ela reconheceu que sim: Se Dayton salvou vidas, e salvou, então foi bom.

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