«O Senhor é clemente e compassivo, lento para a ira, rico em misericórdia” diz-nos o Salmo Responsorial deste domingo
«O Senhor é clemente e compassivo, lento para a ira, rico em misericórdia” diz-nos o Salmo Responsorial deste domingoEstamos no ano Santo da Misericórdia, e se o nosso mundo precisa de alguma coisa, é de misericórdia – e muita, que ele e todos nós precisamos. Será que o mundo, quanto mais progride nas ciências, menos avança na misericórdia, especialmente para com os mais vulneráveis da sociedade? Não queremos admitir que seja essa a verdade, mas temos de concordar que muito resta a fazer no campo da misericórdia entre as nações, entre as várias classes dentro duma nação, e mesmo dentro de cada família. Temos de estudar de novo e de novo aprender o que significa a misericórdia para os membros da humanidade. E para isso, sejamos lógicos, temos de saborear o que é a misericórdia para Deus. antes de mais, a palavra misericórdia está associada com a expressão misero corde, que quer dizer coração miserável: isto é, somos misericordiosos quando nos colocamos junto dos corações que se sentem miseráveis, para os consolar. Para Deus no antigo Testamento, a sua misericórdia tem dois aspetos chave: Deus é misericordioso porque sente compaixão das suas criaturas, especialmente as mais miseráveis. a sua misericórdia é como o apego instintivo dum ser ao outro, apego este que melhor se explica como o apego duma mãe ao filho das suas entranhas, especialmente quando esse seu filho tem algum problema. a compaixão que Deus sente é como a atração-ternura total que mora no coração duma mãe para com o seu filho. É assim que Deus nos explica a sua misericórdia. E é assim que Ele se sente para connosco, especialmente quando nos assaltam as dificuldades. E em seguida Deus diz-nos que Ele é sempre fiel a este seu sentimento de compaixão, mesmo quando nós não nos relacionamos com Ele como devíamos. Sendo amor, Deus nada mais sabe fazer senão amar. Quando ouvimos as notícias, ou vemos as fotos de tanta falta de coisas necessárias à saúde, à alegria, à felicidade de tantas irmãs/irmãos nossos, pois é então que vemos a contradição em que vivem as nossas sociedades: biliões gastos continuamente em engenhos de guerra e destruição em vez de serem usados para combater a fome, a sede, o ódio. Será que tantos políticos e milionários só têm coração para si próprios? Será que também nós vivemos enrolados àquilo que interessa a cada um e dizemos aos pobres que se arranjem? Louvado seja o Senhor por tantos homens e mulheres e jovens, e mesmo crianças, que por vezes tiram um pedaço de pão da sua boca para o partilharem com os mais necessitados. Prodiguemo-nos também em palavras de consolação para com os aflitos, ou mesmo um sorriso que mais não é que uma flor que Deus nos dá para partilharmos o seu perfume com os outros. Que assim seja para cada um de nós. Que a Virgem Mãe do Belo amor nos ensine a amar como ela fez e sempre faz.