as fragilidades na integração dos migrantes e a falta de soluções para os milhares de refugiados que chegam à Europa são problemas que estão por resolver na sociedade portuguesa e europeia, segundo o cardeal-patriarca de Lisboa
as fragilidades na integração dos migrantes e a falta de soluções para os milhares de refugiados que chegam à Europa são problemas que estão por resolver na sociedade portuguesa e europeia, segundo o cardeal-patriarca de Lisboaapesar das possibilidades materiais e mediáticas para uma proximidade e solidariedade efetivas, a sociedade portuguesa e europeia continuam a enfrentar dificuldades de vária ordem, como o desemprego, a vaga de refugiados, o terrorismo, o fundamentalismo e a insegurança, alertou esta segunda-feira, 4 de abril, o cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, na abertura da assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que decorre em Fátima. Não está superada a “crise” financeira do final da década anterior, com as respetivas consequências no setor do trabalho e da subsistência de quem não o tem; não se integraram devidamente na nossa sociedade e valores civilizacionais básicos muitas pessoas provenientes de outras partes do mundo, criando-se com um duvidoso “multiculturalismo” autênticas bolsas de mútua exclusão, propícias a atitudes de grande violência, afirmou o presidente da CEP. Segundo Manuel Clemente, ainda não se encontrou uma solução capaz para o surto incomum de migrantes e refugiados que procuram no nosso Continente as condições básicas de vida que a guerra e outras causas negativas destruíram nas suas terras de origem, e a Europa e o mundo continuam a confrontar-se com gravíssimos problemas como os fundamentalismos, o terrorismo ou a insegurança. a resposta a estes desafios humanitários, de acordo com o purpurado, passa muito por recentrar a Igreja nas periferias, como tem insistido o Papa Francisco. Ou seja, passa por uma resposta integrada e harmónica para a diversa problemática que nos afeta como humanidade, não deixando o mundo físico entregue à manipulação tecnológica, o mundo sociopolítico ao jogo dos interesses mais ou menos confessados de grupos e países, ou os valores reduzidos ao desejo de cada um, sublinhou o cardeal. No discurso de abertura do encontro, que termina quinta-feira, 7 de abril, Manuel Clemente abordou ainda a questão da eventual legalização da eutanásia, reiterando a oposição total da Igreja a tal medida. Citando a Nota Pastoral da CEP sobre o tema, o cardeal alertou que com uma hipotética legalização corre-se o risco de que a morte passe a ser encarada como resposta a essas situações, já que a solução não passaria por um esforço solidário de combate à doença e ao sofrimento, mas pela supressão da vida da pessoa doente e sofredora, pretensamente diminuída na sua dignidade.