De acordo com o estudo da Organização Mundial de Trabalho sobre a proteção dos idosos a longo prazo na Europa, revelado a semana passada, Portugal é o país que menos gasta com a sua proteção – 0,1 por cento do PIB
De acordo com o estudo da Organização Mundial de Trabalho sobre a proteção dos idosos a longo prazo na Europa, revelado a semana passada, Portugal é o país que menos gasta com a sua proteção – 0,1 por cento do PIBO estudo da Organização Mundial de Trabalho (OIT) indica que Portugal é dos países europeus que mais abandona os seus idosos. O país conta 90,4 por cento de idosos que não têm acesso a uma proteção de longo prazo com qualidade. Tal deve-se ao fato de Portugal apresentar uma das mais baixas percentagens de trabalhadores formais na área da assistência aos mais idosos – apenas 0,4 por cada 100.
apesar de Portugal registar uma das mais altas percentagens de idosos do mundo (perto de 19 por cento em 2013), o país disponibiliza apenas 0,1 por cento do seu PIB à proteção dos mais velhos. Só a Turquia apresenta valores inferiores, com 0%. Logo a seguir a Portugal aparecem a França e Eslováquia, com 73,5 por cento dos idosos sem apoios de qualidade, seguindo-se a Irlanda (56,6), a República Checa (49,4) e a alemanha (22,9). No Luxemburgo, Noruega, Suécia e Suíça, a taxa de cobertura é de 100 por cento. Encontramos em todas as regiões países onde entre 75 e 100 por cento da população está excluída do acesso devido a falta de recursos financeiros, refere o estudo da OIT, que coloca Portugal a par do Gana, do Chile, da austrália ou da Eslováquia.
a OIT estima que faltam 13,6 milhões de profissionais para garantir a cobertura universal dos idosos dos países referidos, que representam cerca de 300 milhões de pessoas, ou seja, 80 por cento da população mundial com 65 ou mais anos. Destacamos estas lacunas, apesar do grosso do cuidado – mais de 80 por cento da proteção de longo prazo – ser atualmente garantido por familiares dos idosos (sobretudo mulheres) que não são pagas. O seu número ultrapassa em muito o total de profissionais desta área em todos os países, sublinha em comunicado Xenia Scheil-adlung, coordenadora da política de saúde da OIT e autora do estudo.
a Organização sublinha ainda que, neste contexto, estamos perante uma discriminação não só em função da idade, mas também em função do género, já que são essencialmente as mulheres a cuidar dos idosos sem usufruírem qualquer remuneração. a OIT lembra ainda que investir neste tipo de cuidados permitiria criar muitos empregos.
Por outro lado, uma equipa do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) traçou um mapa com o cenário de sobrevivência no continente europeu durante os últimos 20 anos, tendo encontrado grandes variações na sobrevivência dos idosos dos diferentes países. O documento aponta para o norte da Espanha, nordeste da Itália, e sul e oeste da França como as regiões da Europa onde os idosos têm uma vida mais prolongada, ao contrário da Holanda, Escandinávia ou Reino Unido. a investigação concluiu que o Reino Unido tem mesmo a maior concentração de população nas regiões onde a idade de sobrevivência é mais baixa. Portugal é dos países com baixa longevidade.
Uma das autoras do estudo, ana Isabel Ribeiro, salienta num comunicado enviado à Lusa que o mais provável é que os padrões observados resultem da combinação de dois fatores: a pobreza, que explica a baixa longevidade em Portugal, sul de Espanha e de Itália, ou comportamentos pouco saudáveis, como o tabaco ou má alimentação, que explicariam a baixa taxa de sobrevivência em determinadas áreas como a Escandinávia ou a Holanda.
aqui chegados, vamos olhar um pouco mais de perto para um documento do CENCE (Centre for Environmental and Sustainability Research), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, no âmbito do projeto ClimadaPT. local (Estratégias Municipais de adaptação às alterações Climáticas) conhecido ontem. as conclusões do trabalho revelam que 22 por cento dos idosos portugueses não têm dinheiro para aquecer a casa no inverno, sendo a lenha a principal fonte para aquecimento, especialmente no meio rural. Recordamos que Portugal é dos países da Europa que usa mais lenha para aquecimento. E nem sequer a tarifa social de energia ajuda, porque estas pessoas não têm equipamentos elétricos em casa. Bragança e Montalegre são os concelhos com maior risco de pobreza energética, enquanto Braga vai no sentido oposto, sendo aquele onde existe menos escassez energética.
Portugal não pode ter orgulho da forma como trata os seus idosos, pois as instâncias internacionais e nacionais revelam que aqueles que estão ou caminham para o fim da vida são facilmente esquecidos. O país, e cada um de nós, tem obrigação de ser solidário para com as pessoas de idade.