Jesus era famoso não só pelos discursos fabulosos e emocionantes, por vezes chocantes e desconcertantes, como pelos seus milagres e encontros com várias pessoas, desde líderes religiosos a pessoas comuns
Jesus era famoso não só pelos discursos fabulosos e emocionantes, por vezes chocantes e desconcertantes, como pelos seus milagres e encontros com várias pessoas, desde líderes religiosos a pessoas comunsUm dos encontros mais marcantes e certamente inesquecíveis para os discípulos foi o que tiveram com Ele após a sua ressurreição, no qual lhes fez uma tríplice oferta: o dom da paz, o dom do Espírito Santo e o dom da missão. De certo modo, Ele concluiu o dom da entrega de Si mesmo, a qual ficou registada no sacramento da Eucaristia como memorial do mistério da sua paixão, morte e ressurreição, mistério que constitui o núcleo da nossa fé cristã. Estes três dons são parte do seu testamento, que recebemos precisamente quando celebramos a Eucaristia.como tal, a Eucaristia torna-se a oração mais completa que podemos partilhar como seus irmãos e irmãs, amigos e discípulos. Nela, ouvimos a Palavra após nos reconciliarmos com Deus através do seu perdão; depois entramos em comunhão profunda ao recebermos o Corpo de Cristo, que se entrega mais uma vez a cada um de nós para se tornar um connosco.como tal, a Eucaristia é o ponto de partida e o de chegada da missão que Jesus entregou a cada um de nós. Desta missão faz então parte a partilha que fazemos com o próximo do que somos e temos. E todos temos muito para dar e receber no contexto desta partilha. acredito que esta partilha, quando feita com profundidade, quando envolta em humildade e marcada pela gratuidade, dá não só sentido à vida como à presença de Deus em cada um de nós. Por outras palavras, quando assumimos verdadeiramente a nossa identidade de cristãos, ou seja, pessoas que se identificam com Cristo, estamos a viver plenamente o dom da vida, da fé e da nossa vocação cristã e missionária.como chegar a esta partilha? antes de mais, creio que ela tem início na paixão ou enamoramento por Deus e por todos aqueles que Ele vai colocando a nosso lado ou na nossa estrada da vida.como não podemos amar o que não conhecemos, é fundamental crescer na dimensão do conhecimento do coração e da mente de Deus, seja através da prática da nossa vida cristã, seja através de uma leitura atenta dos sinais do tempo e da presença de Deus na nossa vida. De facto, muitas vezes Ele manifesta-se na nossa vida através de pessoas, eventos ou momentos que nos parecem banais ou habituais, tanto que é frequente darmos por descontado o amor e a presença dos outros sem nos darmos conta de que Ele está presente e ativo também neles e através deles.como tal, valorizar o outro é ser consciente da presença de Deus nessa pessoa. Pessoalmente, sempre me esforcei por não dar por descontado muita coisa, sobretudo muitas pessoas, porque por vezes é quando menos esperamos que Deus nos revela o seu amor e presença. Por isso, não costumo pedir nada para mim quando rezo, por exemplo, de modo a deixar que Deus me surpreenda. E Ele surpreende-me de muitas maneiras, convidando-me a uma partilha contínua e sempre mais profunda com aqueles que coloca na minha vida, através da missão que me confiou e que renova diariamente. Neste contexto, partilhar tem não só um sentido, como se revela cada vez mais um desafio apaixonante, mesmo que nem sempre possível ou bem feito. Uma das formas de partilha de vida que Jesus ofereceu aos seus discípulos foi a de colocarem a sua vida ao serviço da missão e do Evangelho, entendendo por Evangelho a própria pessoa de Cristo. Por outras palavras, Jesus entrega-lhes a mesma missão que recebeu do Pai. O nosso mundo precisa, creio que mais do que nunca, de gente que quer partilhar o que é e o que tem, segundo a metodologia, estilo e autenticidade de Cristo.como tal, ele continua chamando e convidando jovens para que o conheçam, o amem, o sigam e o testemunhem.como dizia alguém, o nosso mundo precisa de discípulos, porque de mestres estamos fartos. Claro, para nós o Mestre é só um, mas os seus discípulos são ainda insuficientes para satisfazer a fome de tantos no mundo, fome de sentido para a vida, de caminhos para a felicidade e de modos de partilha intensa e verdadeira. Junta-te a nós!