«Isabel ficou cheia do Espírito Santo ao ouvir a saudação de Maria e exclamou num grande brado: “Bendita és tu entre as mulheres”¦ E donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?”»

«Isabel ficou cheia do Espírito Santo ao ouvir a saudação de Maria e exclamou num grande brado: “Bendita és tu entre as mulheres”¦ E donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?”»
Imediatamente depois da anunciação, Maria de Nazaré torna-se a primeira missionária da Igreja ao levar Jesus, já presente no seu seio, à sua prima Isabel e às gentes da terra dela. E, diz o Evangelho, dirigiu-se para lá “apressadamente”. O que quer dizer que a pregação do Evangelho por cada cristão não é só uma possibilidade, mas uma responsabilidade, um compromisso por nós assumido no batismo. Esta pregação é ainda mais urgente nos nossos dias de relativismo, a doutrina que diz que todas as ideias são verdadeiras e boas, e que todo o ponto de vista é válido. Já o grande filósofo grego, Sócrates, se opunha à tese que todas as opiniões correspondem à verdade. E já nos tempos antigos se davam à verdade ascaracterísticasde fidelidade, constância ou sinceridade ematos, palavras ecarácter. E assim, Maria leva apressadamente a Isabel e às gentes da sua terra o verdadeiro Messias. O que aconteceu a Isabel ao ouvir a saudação de Maria (o menino saltou de alegria no meu seio) prova que Isabel reconheceu, por inspiração do Espírito Santo, que o que já se encontrava no seio de Maria era o verdadeiro Messias: por isso Isabel, cheia do Espírito Santo, chama Maria a Mãe do meu Senhor. De fato, tanto Isabel como João Batista ainda no seu seio, reconhecem em Maria a Mãe do Senhor. E Isabel, de novo movida pelo Espírito, proclama Maria bendita entre as mulheres. E o Espírito Santo move Isabel a proclamar também porque é que Maria é bendita: porque acreditou em todas as verdades que Deus lhe comunicou pelo anjo na anunciação: Bendita és tu porque acreditaste em quanto te foi dito da parte do Senhor!Na segunda leitura, São Paulo coloca na boca do Filho Unigénito de Deus a decisão: Eis-meaqui, Pai, venho para fazer a tua vontade. É a grande verdade que contemplamos e acreditamos no Natal. Num sentido direto, também cada cristão no batismo declarou, pela boca e coração dos pais e dos padrinhos, a mesma decisão: venho ao mundo para fazer a vossa vontade, Senhor Deus. E como para Maria e para Isabel, é o Espírito Santo que nos sugere, e nos dá a força, para cumprirmos a vontade do Senhor. Estamos no ano Santo da Misericórdia. No antigo Testamento, o ano Sabático era um ano em que não se cultivava a terra porque também ela devia descansar, e se deixava que ela produzisse por si própria o sustento para os seres humanos; era o ano do perdão das dívidas de cada membro do povo de Deus; e era o ano da libertação de todos os escravos. Para nós, este no Santo da Misericórdia que estamos a viver é um tempo propício para nos libertarmos de todas as dívidas para com Deus e o próximo, as dívidas causadas pelo pecado de ação e omissão. Um ano em que reconhecemos mais profundamente a ternura paterna e materna de Deus para connosco, e um ano em que nos dispomos a aceitar mais decididamente o abraço do perdão que o Senhor está sempre pronto a dar-nos. Santo agostinho tem uma sugestão profunda a dar-nos: Tenho medo que venha Jesus, bata à porta do meu coração, que eu não abra, e que ele se vá embora e não volte mais! São Paulo avisa-nos: É este o tempo favorável, é este o dia da salvação (2 Cor 6,2).com Maria digamos ao Senhor: Faça-se em mim segundo a tua palavra.