Estimados leitores já há algum tempo tinha prometido dar a conhecer a paróquia/missão de Liqueleva. Vou descrever-vos a missão e as principais actividades que aí­ se desenvolvem.
Estimados leitores já há algum tempo tinha prometido dar a conhecer a paróquia/missão de Liqueleva. Vou descrever-vos a missão e as principais actividades que aí­ se desenvolvem. aparóquia de Liqueleva situa-se nos arredores da Matola, a 10 quilómetros da capital Maputo. Sendo um bairro da periferia urbana, dispõe de luz eléctrica, telefone e, de vez em quando, a água da rede chega às casas. Não tem estradas alcatroadas nem outras estruturas estatais a não ser escolas.
No seu conjunto, a paróquiaé um ambiente amplo. Num dos dois locais de que dispõe, o maior, situa-se a casa paroquial, com dois escritórios, a Igreja para cerca de 900 pessoas e um enorme salão. Pertencem ainda às instalações uma biblioteca com três salas. Numa funciona a escola de computadores e o armazém dos livros; outra é a sala de leitura, onde os sócios podem consultar os livros; e a terceira destina-se a encontros e reuniões. salão. Pertencem ainda às instalações uma biblioteca com três salas. Numa funciona a escola de computadores e o armazém dos livros; outra é a sala de leitura, onde os sócios podem consultar os livros; e a terceira destina-se a encontros e reuniões.
No segundo local funcionou em tempos uma escola.com oito salas e duas casas. Neste ambiente aos sábados à tarde e domingos de manhã desenrola-se a actividade da catequese. Um grupo de 70 crianças usam as salas ao sábado de manhã para diversas actividades.
Neste local estamos a construir um pequeno campo de futebol de salão, já quase há um ano.como podem imaginar, o orçamento é limitado, o que obriga a caminhar muito devagar.
a igreja sofreu várias ampliações ao longo dos seus 45 anos de história. antes dos acordos de paz de 1992, a população não era muito numerosa, mas nos últimos anos deu-se um crescimento demográfico exponencial, que obrigou a ampliações sucessivas.
actualmente o bairro ainda é para nós um ambiente pouco explorado. Há ruas onde nunca fui e que não conheço; existem realidades que nem sequer imagino. após dois anos de presença neste bairro, chegam aos meus ouvidos histórias que levariam uma vida a conhecer e a compreender.
Durante vários anos funcionou no centro uma escola da paróquia, gerida pelas Irmãs Vicentinas. Infelizmente em 2000 elas deixaram a paróquia e, pouco a pouco, a escola foi-se degradando, acabando por fechar. O pároco está em negociações para que no próximo ano as salas sejam alugadas a uma escola privada, de maneira a garantir no bairro um escola secundária (do 10º ao 12º) e uma renda estável para a paróquia.
O salão e a biblioteca são obra do padre Vasco Campos, infelizmente falecido poucoantes da sua conclusão. a ideia inicial era ter um ambiente onde funcionasse uma biblioteca de apoio os estudantes do bairro, visto que mesmo nas cidades da Matola e de Maputo as bibliotecas são poucas. além disso, pretendia dar-se aos jovens a possibilidade de aceder à informática, tendo em conta o mundo do trabalho.
O salão deveria funcionar como local de festas e casamentos, contribuindo para a auto-suficiência económica da paróquia. as deficientes vias de comunicação têm tornado difícil a realização deste objectivo. Os acessos àparóquia são difíceis. Só quem conhece bem o bairro, consegue orientar-se e as estradas estão em péssimas condições.
Durante os dois anos da minha estada aqui, o trabalho desenrolou-se sem grandes novidades. Passo os meus dias a preparar e a dar aulas. aos sábados e domingos a vida complica-se. Entre casamentos, catequese, encontros de formação, visitas aos núcleos e às famílias, não temos mãos a medir e,por vezes, deveríamos estar em dois ou três lugares ao mesmo tempo. Mas não temos o dom da bilocação. Faz-se uma coisa de cada vez e estamos eternamente atrasados, ao menos, meia hora. E a vida lá vai rolando com os seus imprevistos já previstos.
Não gosto de falar de mim edas minhas actividades. Quando falo da minha vida, o pensamento torna-se incompreensivelmente confuso e pouco metódico. Talvez seja uma doença: ver claramente aquilo que se refere aos outros e ter uma visão desfocada a respeito de mim mesmo. Seja como for, aqui como em todo o lado, estamos sempre a escolher entre estar ocupados em viver, ou estar ocupados em deixar-se morrer. a história é de todos, mas com os particulares, os contextos e os cenários pessoais de cada um.

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