a peregrinação anual dos cristãos da Palestina ao rio Jordão realizou-se a 27 de Outubro, ao lugar do Baptismo do Senhor, perto de Jericó.
a peregrinação anual dos cristãos da Palestina ao rio Jordão realizou-se a 27 de Outubro, ao lugar do Baptismo do Senhor, perto de Jericó. Só duas vezes no ano os israelitas permitem aos cristãos o acesso ao lugar do baptismo do Senhor no rio Jordão: aos ortodoxos em Janeiro e aos latinos em Outubro.
O Jordão constitui fronteira com o estado vizinho da Jordânia. Para chegar lá é preciso percorrer um corredor de cerca de trêsquilómetros que o exército de Israel abre para o efeito. É uma zona militar de grande sensibilidade e isso nota-se pelas numerosas fortificações, torres de vigia e esconderijos e mais ainda pelos constantes avisos de terreno minado à direita e à esquerda.
Toda esta extensa baixa ao longo do Jordão mostra ainda numerosos mosteiros, resíduos de uma ininterrupta tradição que começou no século quarto. até há pouco tempo os ritos latino e grego tinham cada qual o seu recinto para as celebrações. Hoje está vedado o acesso, porque foram englobados na área minada. Em compensação foi erguido um terraço comum para os dois ritos, mesmo na margem do Jordão, e é ali que se concentram os cristãos para as suas celebrações, sempre sob o olhar vigilante da tropa e da polícia de Israel. No lugar fronteiriço, do lado da Jordânia, há também um a igreja com escadaria de acesso ao rio. Mas também ele fortemente vigiado pelos soldados jordanos.
Esta peregrinação é um momento privilegiado para se encontrarem as comunidades cristãs da Palestina. Uns vêm da costa, outros da Galileia, sendo o grupo mais forte o de Jerusalém, composto na sua maioria por religiosos, estudantes e peregrinos, com a babel de nacionalidades e línguas.
Em procissão percorrem-se as últimas centenas de metros até ao lugar da celebração. Esta tem o seu ponto alto na Eucaristia, a cargo dos Franciscanos que detêm a Custódia da Terra Santa. Num esforço de vencer a barreira das línguas, distribui-se a liturgia pelo latim, árabe, inglês, italiano e espanhol. Depois da missa os peregrinos gostam de descer mesmo ao Jordão, que actualmente ali não é mais que uma tira de poucos metros de largo, onde a água quase parada é de um verde pouco comparável à limpidez cantada nos textos sagrados. Mesmo assim há muita gente a encher frasquinhos para levar como lembrança.
Do Jordão a peregrinação encaminha-se para Jericó para fazer uma visita ao Monte da Tentação. a subida íngreme e o sol escaldante são um desafio a que quase todos os peregrinos tentam responder. a meta desta escalada é o mosteiro que está encravado na parede a pique do monte sobranceiro a Jericó, que a tradição assinala como o das tentações de Jesus. O próprio mosteiro, pela sua colocação, é um hino à engenhosidade humana e sobretudo é um testemunho da busca de Deus no isolamento e no silêncio. Os monges ortodoxos dão aos cristãos latinos um acolhimento muito cordial, e isso é o sinal visível e consolador de um clima novo de boas relações fraternas.
De Jerusálem

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