Por que aderem tantos europeus aos grupos extremistas que se digladiam no Médio Oriente?
Por que aderem tantos europeus aos grupos extremistas que se digladiam no Médio Oriente? Há, sobretudo jovens, perdidos de si, na sociedade a que pertencemos, que entraram em ruptura total com os valores supremos da tolerância, do respeito pelo Outro, que desprezam a própria vida, alegando, em defesa das suas estranhas devoções a um deus em que dizem acreditar, que a morte é o prémio, e que esse mesmo deus os compensará por tal devoção e entrega. Mas matam. É este o intrincado e humanamente absurdo comportamento com que convivemos. a religião, em nome da qual matam, coarcta a liberdade, oprime as consciências, reduz o livre arbítrio, nega os valores que tornam possível a sã conivência entre os povos. a alienação e o dogmatismo são instrumentos ao serviço do totalitarismo religioso. a liberdade que gozam os portadores do estandarte da morte, na sociedade ocidental que os acolhe, facilita-lhes os meios, os movimentos e a propagação de um fanatismo alegadamente religioso, mas sem o respaldo consciente e verdadeiro que só a adesão livre e consciente a uma religião pode permitir. a chamada globalização, também dos meios de comunicação instantânea – em tempo real – facilita e potencia, sobretudo nas sociedades livres ocidentais, os nefastos intentos de quem persegue e prossegue esta cruel, por desumana, cruzada assassina. aumentamos o conhecimento tecnológico, mas somos vítimas da degenerescência que o mesmo provoca na cultura humanista e no aprofundamento da busca de respostas que só a elevada consciencialização da natureza humana pode propiciar. Este cruel dilema atravessa a história da humanidade. Ganha-se em conhecimento tecnológico, mas perde-se em humanidade. a ambição suprema continua a ser o poder, não o amor pelo Outro e o respeito pelo dom da Vida. Talvez o instinto de sobrevivência, quando manifestado de forma cega, esteja na origem de todas as lutas entre os homens. Também desta matança cega de que somos vizinhos e vítimas. Não podemos desistir dos caminhos da tolerância e da paz, únicos arneses que poderão proteger-nos de nos tornarmos, todos, assassinos do nosso colectivo destino, e coveiros da nossa memória. a boa-fé e a Esperança são o caminho – multiplicam-nos a Vida. O desespero encurta-a e desvirtua-a. Francisco o disse, recentemente, em Sarajevo. a perseverança e fidelidade aos valores supremos que enformam a sociedade a que pertencemos são o garante de um futuro mais pacífico. *(O autor escreve segundo a anterior norma ortográfica)