«O envelhecimento não é uma tragédia. O envelhecimento tem a ver com desenvolvimento. Não é por acaso que as sociedades mais envelhecidas são as mais desenvolvidas». é a opinião de Maria João Valente Rosa, demografa da Pordata
«O envelhecimento não é uma tragédia. O envelhecimento tem a ver com desenvolvimento. Não é por acaso que as sociedades mais envelhecidas são as mais desenvolvidas». é a opinião de Maria João Valente Rosa, demografa da Pordata a nossa sociedade é composta por um elevado número de idosos. O seu aumento é substancial de ano para ano e isso deve-se ao aumento da esperança média de vida que se verifica, conjugado com a baixa taxa de natalidade. No aspeto humano é uma excelente notícia. as pessoas tem a benesse de uma maior longevidade. Isso implica uma alteração gradual do conceito da nossa forma de encarar a velhice. aqueles a quem outrora considerávamos idosos são agora definidos como terceira idade, quarta idade e seniores.
a sociedade, em geral, não nutre especial carinho pelos mais velhos pois considera que estes poderão vir a criar um problema grave de sustentabilidade em diversos setores, especialmente nas reformas atuais e futuras. Efetivamente o impacto económico do envelhecimento da população traz os custos financeiros e orçamentais adicionais das pessoas viverem mais do que o esperado. O espectro de os pensionistas poderem ficar sem dinheiro chegados à reforma, de fato, é uma realidade a que não se pode fugir.
Mas o problema não está em si mesmo, mas na necessidade de o resolver procurando optar por uma visão positiva e ir ao encontro de novas abordagens de uma realidade que não se pode escamotear. O envelhecimento não se combate, aproveita-se, alerta Maria João Valente Rosa. No aspeto político e mediático o envelhecimento tornou-se uma obsessão nacional e como tal exigem-se respostas rápidas, soluções à medida, legislação adequada, programas inovadores, medidas eficazes. Contudo, ao falar em população, devemos compreender que a realidade não muda por decreto e muito menos segundo os nossos desejos: O envelhecimento é inelutável. O envelhecimento não se combate, o envelhecimento é uma tendência que veio, está e irá ficar, como refere a demógrafa.
Como poderemos fazer frente a este problema? Maria João Valente Rosa afirma que o problema está na organização da sociedade que temos. Esta organização que nós temos de sociedade foi montada para sociedades muito jovens, em que existiam poucos velhos, as pessoas viviam pouco tempo depois dos 65 anos. a pessoa tinha um tempo para estudo, tinha um tempo para trabalho e um trabalho extremamente intensivo. Eram sociedades muito marcadas pela força física, pela intensidade física do trabalho. Neste momento o que marca as sociedades não é tanto o músculo físico mas mais o músculo intelectual (e o músculo intelectual não tem idade!). E nós montámos essa organização de ciclos de vida: uma idade para se formar, uma idade para se trabalhar E deum momento para o outro a sociedade mudou e continuamos com esse modelo, como se fosse um modelo que tivesse de ficar para sempre.
Maria João Valente Rosa deduz que o envelhecimento não é de facto um problema. O problema está nas nossas cabeças. O problema está em nós. Na incapacidade de nos adaptarmos a um curso dos factos que é completamente diferente. E acrescenta que as pessoas mais velhas do futuro vão ser diferentes das pessoas mais velhas que nós conhecemos hoje. Não vão ser um retrato ampliado do que temos no presente.
Mas mesmo que a fecundidade aumente, que os saldos migratórios regressem a positivo, nós vamos ser uma sociedade muito mais envelhecida do que somos hoje, essa é a realidade com que todos nós teremos que viver. Os idosos não podem ser um fardo para a sociedade, a maior parte não é nem o deseja ser, mas é necessário elaborar políticas concretas para que estes se sintam úteis nesta sociedade em que vivemos.