Shahzeb, uma criança de cinco anos, não pode ler o cartão que tem na mão. Num pedaço de cartão branco estão quatro letras que forma uma palavra inglesa: “help” (ajuda).
Shahzeb, uma criança de cinco anos, não pode ler o cartão que tem na mão. Num pedaço de cartão branco estão quatro letras que forma uma palavra inglesa: “help” (ajuda). O meu irmão mais velho escreveu este cartão para mim. Eu vou à escola, mas ainda não aprendemos inglês, explicou Shahzeb a um jornalista da agência de notícias IRIN. Está sentado, como dezenas de crianças, ao longo das vias que conduzem a Balakot, a 90 quilómetros da capital Islamabad, esperando atrair a atenção das equipas humanitárias.
O número de crianças cresce todos os dias e muitos gritam amdad (ajuda) sempre que um veículo reduz a velocidade, ao mesmo tempo que estendem as suas mãos para recolher dinheiro, pacotes de bolachas e outras coisas.
Muitas crianças bebem sumo de pacote, uma coisa que nunca tinham visto antes do sismo. É muito bom. É doce e sabe melhor que água, disse Zakia, de 10 anos, ajudando o seu irmão mais novo, de apenas dois anos, a colocar a palhinha no seu pacote de sumo.
Muitas destas crianças são vigiadas por um familiar mais velho, mas há agora receio de que se venham a formar cartéis de mendigos, fenómeno que pode ser observado em qualquer grande cidade do Paquistão, mas que até agora não tinha chegado às zonas montanhosas.
Não é positivo habituar as crianças a pedir esmola. É uma exploração e mesmo nesta situação desesperante não é a solução disse Ryan Williams, activista da organização Save de Children, um grupo de protecção dos direitos da criança. Esta organização está a instalar abrigos para as crianças vítimas do sismo.
Quayyum Muhammad, um comerciante de Battal também condena esta prática. as pessoas estão a usar as crianças para conseguir o que podem. Não é dignificante nem bom, disse. No entanto a prática aumenta cada dia.com as escolas da região ainda fechadas devido ao pequenos sismos que se seguiram ao sismo, mendigar tornou-se um jogo para as crianças.
Nos competimos a ver quem recolhe mais. É divertido, disse Wali, de 11 anos, antes de correr para agarrar um pacote de leite oferecido pelo condutor de um carro que passava. Junta tudo o que recolhe numa velha mochila que vai levar para casa’ (a tenda plástica em que vive a sua família) ao final do dia.

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