Sem meios financeiros mas não duvidando da grandiosidade do projeto, Gi lançou uma petição pública para angariação de fundos, em troca de quadros seus
Sem meios financeiros mas não duvidando da grandiosidade do projeto, Gi lançou uma petição pública para angariação de fundos, em troca de quadros seus- atenção, todos! Temos 15 minutos. Tudo pronto?- Sim! Quase! Só mais cinco, Gi!Chamavam a Gilberta – Gi para os amigos – uma força da natureza! E era!Gilberta estava a 15 minutos de inaugurar o seu novo espaço Marcas, em local privilegiado da cidade. Era uma artista que queria e sabia, através da arte, abrir janelas no mundo das crianças e jovens, por onde pudessem olhar-se e olhar a vida, senti-la e expressá-la. acreditava ser este o seu contributo para uma sociedade mais consciente e mais interventiva. E naquilo em que acreditava, punha toda a sua capacidade e trabalho desmedido – e fazia acontecer. O seu anterior atelier Marcas, feito na garagem da sua mãe, era já um cantinho especial para crianças e jovens que, pela pintura, ensaiavam criar novo, inventavam-se e desembrulhavam áreas desconhecidas de si. Gi usava cada atividade para questionar, refletir em conjunto sobre tudo, desde filosofia ao ambiente, dos relacionamentos à liberdade, da responsabilidade à possibilidade de começar de novo. Mas o seu principal dom talvez fosse o de promover a partilha: de pincéis e inquietações, de telas e desafios, das tintas e de diferentes meios de buscar o equilíbrio. Marcas dava asas a Gi e a quem o frequentava, mas era muito limitado para o tamanho do seu sonho. Precisava alargar a oportunidade a mais, muitas mais crianças e jovens! Sem meios financeiros mas não duvidando da grandiosidade do projeto, Gi lançou uma petição pública para angariação de fundos, em troca de quadros seus. E resultou! Hoje é a hora de abrir portas!as entidades e amigos convidados começaram a chegar. Num primeiro impacto, os sorrisos dilatavam-se face à beleza e novidade do atelier. Gi, os seus pupilos e os quadros de todos dependurados em cordas de entrelaçar enfeitavam o espaço com cor, sonhos, mensagens e com a liberdade de ser e de expressar. Respirava-se vida e alegria em abraço acolhedor. a todos, um convite em forma de telas e pincéis. Telas em branco expostas em vários cavaletes distribuídos pelo atelier, foram acolhendo pinceladas, cores, formas, mensagens dos convidados que se deixavam envolver pela Marcas. Mas levavam algo em troca: uma mensagem subtil que Gi tinha deixado pintada em algum lugar de cada tela: aqui, eu coloco a minha marca!. No extremo da exposição, numa tela gigante, construída por todos os pupilos do Marcas, feita de retalhos de tecido, de papel, de folhas, de vergas, colados num fundo de cores de céu, de oceano e da terra, podia ler-se: hoje, faz, olha e agradece a tua marca! Depois, recomeça… até o limite de ti!Junto à tela, um pote com um pincel-oferta para cada convidado. Em cada um, uma etiqueta em letras artísticas espalhava o mesmo convite: Usa o teu pincel. Põe a tua marca na tela de todos!.